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tera, 12 de dezembro de 2017

Como identificar um capixaba

– “Ô marzão besta”, dizem os mineiros ao avistarem as belas praias do Espírito Santo.

A da foto, Praia da Costa, Vila Velha/ES.

Mais de uma vez tenho ouvido que o capixaba não tem uma identidade que o identifique ou que o diferencie de outros irmãos brasileiros, sobretudo pelo seu modo de se comunicar, de manter uma conversa, como, por exemplo, o mineiro que é facilmente identificável com o seu característico “uai, sô” ou “marzão besta”; o baiano com o “cabra da peste”; o carioca com o seu chiado quando pronuncia as letras do alfabeto, o paulista puxando no “r” e o gaúcho com o seu inconfundível “tchê” e outros vícios de linguagem, se assim puder ser considerado.

Eu, no entanto, com mais de meio século de feliz convivência com os capixabas, conseguia identificar neste hospitaleiro povo, logo que cheguei aqui dois tipos de nativos – hoje quase não dá mais para identificá-los porque os mais antigos já se foram e por outro lado veio muita gente de fora do Estado que, misturada com o povo local, descaracterizou o que se poderia chamar de capixabismo -, os dois tipos a que me refiro são o cariaciquense e o serrano, ambos, então, com um sotaque bastante diferenciado dos demais habitantes do Estado.

Quando perguntados de onde eram – via isso com muita freqüência no banco em que trabalhava atendendo os clientes – a resposta revelava um sotaque bem diferenciado: o de Cariacica dizia assim: sou de Coriacica (entrava no lugar do primeiro “a” um “o”; no caso do habitante da Serra, ele dizia que era da Sierra; entrava um “i” entre o “S” e o “e”, dando a ideia de um Espanhol improvisado.

Fugindo do modo de falar do capixaba que, segundo os críticos não tem nada diferente que melhor o identifique – digo que têm algumas coisas neste Estado, na gastronomia, por exemplo, que o distinguem e muito bem: a torta capixaba e a moqueca capixaba, que nenhum outro Estado faz tão bem como aqui. É de lamber os beiços!

Fora da gastronomia, têm as famosas praias que fazem do litoral capixaba um dos mais lindos e apreciados do país e, completando esse cenário, têm as regiões montanhosas, com um jeito de inverno no inverno e verão no verão; tem também o modo carinhoso, receptivo e às vezes até quase inocente de abrir, franca e generosamente, os caminhos e as portas para os que vêm de fora, brasileiros ou estrangeiros, diferentemente, por exemplo, dos mineiros que são sempre meio desconfiados.

Posso testemunhar, de cadeira, com base na minha experiência pessoal quanto ao acolhimento carinhoso que tive dos capixabas quando, no início de 1957, vim transferido para Vitória: meus colegas de banco arranjaram casa para eu morar com a minha família e me incentivaram bastante para trabalhar em uma das emissoras da Capital.

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