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segunda, 15 de julho de 2019

O trem tá feio – Oswaldo Oleari

– “O trem tá feio”.

Disse isso daí a um interlocutor bem informado, atuante na área ambiental, ex de um montão de funções públicas.

Ele respondeu: “tá mesmo, tá de vaca não reconhecer o filho bezerro”.

Tá esquisito. Tem gente pelaí, mal formada e mal informada, que anda falando muito da dolorosa de 1964, mas se esquece que a era Jango tava uma bagunça absoluta.

Os pelegos sindicalistas dominavam a cena, enquanto o fantasioso general Assis Brasil delirava com um suposto esquema pelo qual estaria “tudo sob controle”.

Como legalista que sempre fui, fiz público meu protesto pela deposição de um presidente da república. Não era pelo Jango, em quem não acreditava e que, na verdade, travestiu-se de reformador, chupando as idéias de Jãnio Quadros, que já propunha na campanha eleitoral um certo número de reformas. Reformas, a propósito, que não foram feitas até gurinhamemu.

Sempre acreditei que o menos pior caminho ainda é a legalidade, a eleição apesar de tudo, a via legal, democrática.

Mas, não imaginava que as coisas fossem tomar os rumos que tomaram. A expectativa de que o “bode barbudo” e seus idealizadores fizessem algo, acertassem um tanto de coisas, frustrou-se logo, logo.

Sindicalistas, militantes e ex-guerrilheiros, estavam sequiosos de poder e não de um projeto de governo. E logo, aloprados, corruptores e corruptos, selaram uma grande aliança e foram todos para os restaurantes carésimos de São Paulo, Paris, Nova Iorque e periferia. Com vinhos de R$ 5 mil por garrafa.

E todos os dias tem um escândalo novo.

Tanto quanto – ou mais – nos governos anteriores: de D. João Sexto ao marechal monarquista que deu um golpe de Estado na Monarquia, a Sarneirossauro rex, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello – hoje, aliado desde criancinha.

Tá feio. Tá desanimado.

(Oswaldo Oleari)

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