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tera, 12 de dezembro de 2017

Alencar Garcia de Freitas: Somos uma república de bananas ou somos “uns bananas”?

Algumas repúblicas da nossa querida América sempre foram chamadas de repúblicas de bananas.

É evidente que o Brasil, mesmo fazendo parte desse importante continente, nunca foi incluído nesse rol, mesmo sendo um dos maiores produtores de tão delicioso e nutritivo fruto, componente indispensável na dieta brasileira que, de um momento para o outro, passou a ser uma estrela ainda mais ascendente entre as estrelas brasileiras.

É difícil encontrar um quintal de brasileiro que não tenha uma bonita touceira de bananeiras quase sempre cheias de cachos de bananas, para a alegria geral dos seus proprietários.

Daniel Alves, foto abaixo, jogador brasileiro que teve a feliz ideia de se deixar fotografar descascando e comendo uma banana, para contrapor o racismo de um torcedor que jogou no gramado uma banana com a intenção clara de xingá-lo de macaco, deu duas valiosas contribuições com seu gesto:

– a primeira teve o sentido de combater o racismo abertamente;
– a segunda, no sentido de aumentar ainda mais o consumo do fruto não só entre os brasileiros como também entre os estrangeiros.

O educador Gustavo Forde, em entrevista ao jornal A GAZETA, faz uma leitura diferenciada da ideia verbalizada e demonstrada pelo jogador Daniel Alves, mesmo apoiando-o no gesto adotado.

Entende o educador que de qualquer maneira é preciso que fique bem claro que “não somos macacos, somos seres humanos”, com o que concordo plenamente.

Na mesma matéria, veem-se dois importantes depoimentos sobre o crime de racismo: um do desembargador Willian Silva, meu velho conhecido – foi estagiário no Departamento Jurídico da Findes quando eu era secretário executivo da entidade – que chama a atenção, em sua fala, para o que sempre vi exercendo cargos executivos em várias organizações.

Diz ele:
– “Lamentavelmente ainda vemos muito racismo no Brasil, e é hipocrisia falar que ele não existe aqui’.

Lá naquela entidade mesmo fui advertido pelo meu superior imediato pelo fato de haver promovido uma funcionária negra ao cargo de secretária-recepcionista.

Quando perguntei ao meu superior a razão pela qual ele não concordava com a promoção da moça, desconversou, não assumindo o seu racismo, pedindo, habilmente, que a transferisse para outro setor.

O outro depoimento é do advogado Ademir Cardoso, que diz o seguinte:

– “Acredito que esse preconceito atrapalha o Brasil a estar entre as melhores nações do mundo”.

O que mais chama a atenção quanto ao racismo entre os brasileiros é o fato desse preconceito ser por demais disfarçado.

O racista não assume abertamente o crime do racismo por saber que poderá pagar por isso, mas o pratica do modo mais discreto possível.

Aliás, é o modo mais disfarçado que se tem atualmente no país – nenhuma autoridade lá de cima tem coragem de assumir isso publicamente.

Em conversas e rodas de piadas um nome que está sempre em evidência é do atual presidente Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

Quantas vezes se tem ouvido piadinhas de mau gosto envolvendo o nome desse extraordinário magistrado pelo fato de ser negro?

Seríamos “uns bananas” se não reagíssemos contra qualquer tipo de preconceito.

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