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sexta, 25 de setembro de 2020

Joca Simonetti: Pode mandar fazer a faixa

Nota da redação: as fotos e legendas não integram o texto do jornalista Joca Simonetti. São um enxerto do Portal DOPC.



2010: tudo começou aqui. Governador  Paulo Hartung tira seu vice-governador e praticamente seu sucessor e bota Renato Casagrande.


2010: Governador Paulo Hartung passa a faixa ao novo governador, Renato Casagrande. 



Hoje, pesquisa do Instituto Brand publicada no Século Diário, traz números um pouco, apenas um pouco diferentes de outras pesquisas: Hartung 41,6%, Casagrande 29,7%.

Misturando alhos com bugalhos e percentual de indecisos na pesquisa espontânea com intenções de voto na pesquisa estimulada, o jornal afirma na capa que a eleição está indefinida. Não está.

Tá, tá bom, tem muita coisa pra acontecer, muita água pra passar embaixo da ponte mas, só aqui entre nós, a eleição para o governo do Espírito Santo está resolvida.

Não acontecendo nenhum tsunami, nenhuma catástrofe, nenhum esqueleto saindo do armário, Paulo Hartung reassume o governo em 1° de janeiro de 2015. Nem a pesquisa do Século Diário publicada hoje desafia essa predição.

Mais do que os números, em si francamente desfavoráveis ao governador Casagrande, o que, na minha opinião, torna quase impossível uma reversão no quadro é que Hartung ancorou sua candidatura em terreno fértil: na convicção, já existente, de que se o governo Casagrande não é explicitamente ruim, bom também não é.00


2014: ex-aliado, ex-governador Paulo Hartung quer retomar a faixa do atual governador Renato Casagrande.

A ilustração é do famoso chargista Amarildo, de A Gazeta. 

A evolução das intenções de voto é acachapante. Em novembro do ano passado, havia muita dúvida se Hartung seria candidato, e pesquisa da Futura apontava vitória apertada de Casagrande: 36% a 30%.

Num eventual segundo turno, 42,8% a 41,9%.

Em abril desse ano, Paulo Hartung entrega uma carta (veja só que coisa, uma carta. Não foi email, vídeo, selfie, nada disso. Uma carta, assinada de próprio punho) colocando o nome à disposição de seu partido para disputar o cargo de governador. Foi o que bastou para a maré mudar. Menos de um mês depois, no inicio de maio, quando ainda não se tinha certeza de que ele seria candidato, Hartung já aparece à frente de Casagrande em pesquisa publicada em A Gazeta: 34,1% a 30%.

O tempo foi passando, o governador Casagrande foi se movimentando, prometendo isso e aquilo, deixando alianças, fazendo juras de amor a novas paixões, tentando agarrar aqui e ali, manter-se de pé. E o Hartung foi deixando o mundo girar à sua volta. Na muda, mais não disse, muito lhe foi perguntado.

Até que em 30 de junho, na convenção partidária, Hartung põe as cartas na mesa, e não estava blefando: “Na condição de candidato ao governo estadual, tenho a obrigação e a responsabilidade de debater o presente e, principalmente, o futuro dos capixabas”. Em seguida, demarcou o território:

– O governo que se elegeu propondo a continuidade e se comprometendo com o avanço não cumpriu seu compromisso com a continuidade, muito menos produziu avanços.

– Não deu salto algum. Pelo contrário, tropeçou nas próprias pernas.

Era a senha. A notícia espalhou rapidamente. Habemus candidatus. Em menos de duas semanas, o quadro eleitoral estava completamente mudado,.
: em 13/7 e 27/7 são publicadas duas pesquisas de jornais e institutos concorrentes com números quase idênticos. Na primeira, da Futura em A Gazeta, Paulo Hartung 48%, Casagrande 27%. Na segunda, da Enquet em A Tribuna, Paulo Hartung 48,8%, Casagrande 31,2%.

Paulo Hartung pode mandar fazer a faixa.

Fonte: Casa do Joca
http://casa-de-joca.blogspot.com.br/2014/07/pode-mandar-fazer-faixa.html?showComment=1406895771421#c9028566496043539523

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