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domingo, 27 de setembro de 2020

Alencar Garcia de Freitas……cidadão anticorrupção não pode ser corrupto


Há profissionais que não dão recibo por serviços prestados.

A palavra de ordem mais forte e recorrente no dia 15 de março foi “Abaixo a corrupção”…… Até aí, muito bem…… Eu também sempre fui, sou e serei contra a corrupção no poder público, no mundo empresarial, nas igrejas, nas ONGs, nos sindicatos de empresários e de trabalhadores, nas associações comunitárias e nas escolas de todos os níveis…….

Não basta que eu seja anticorrupção; não adianta eu dar uma de anticorrupto, se na primeira oportunidade, quando o agente de trânsito quiser me “ferrar”, eu meto a mão no bolso e tento comprá-lo!

Ou um fiscal bate na minha empresa, e encontrando alguma irregularidade, diante do risco de uma multa de alto valor, eu o convido para almoçar comigo, para “conversarmos” sobre o assunto.

Outra hipótese é eu ir ao médico ou ao dentista para um tratamento oneroso, e depois de discutido o preço, achando-o muito elevado, o profissional indica uma saída para diminuir o valor: executará o serviço, com pagamento à vista e sem dar recibo, para não ter que declarar ao Imposto de Renda e ficar sujeito ao pagamento do respectivo imposto.

Ou, ainda, vende um imóvel e passa a escritura pública por valor bem menor.

A sonegação de imposto caracteriza muito bem um ato de corrupção. São tantos os meios de corrupção ativa e passiva usados por milhares de pessoas; ainda assim muitos desses têm o despudor de se engajar em um protesto e sair gritando por aí: Abaixo a corrupção!

Ser incorruptível é não corromper e nem se deixar corromper.

Temos que combater, sim, de modo severo e constante a corrupção onde quer que ela esteja ocorrendo, começando por nós mesmos.

Creio que em um texto anterior, escrito há muito tempo, registrei o que aconteceu com um empresário conhecido meu. Homem de muitos negócios que faleceu relativamente pobre, porque nunca corrompia e nem se deixava corromper.

Suas empresas foram encerrando as atividades por não suportar mais a carga de impostos e muitos fiscais toda hora batendo na sua porta, não tanto para multá-lo e sim para pedir propina.
Um dos fiscais era muito recorrente a esse tipo de proposta e ele sempre dizia não.

Na última vez que insistiu na proposta, pegou na estante do seu escritório um livro que ensinava moral e ética e lhe deu de presente, recomendando: leia esse livro e depois volte a falar comigo (o fiscal nunca mais o procurou; só que acabou de arrebentar com a sua empresa).

Alencar Garcia de Freitas é jornalista

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