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tera, 21 de novembro de 2017

As Certinhas do Oleari + Poesia – A Bunda, de Carlos Drummond de Andrade, seleção de Rubens Pontes


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.


A foto também foi selecionada, “copigarfada”, como diz ele, por Rubens Pontes, que ainda fez uma dedicatória:

– “De todo coração para o amigo, o verdadeiro coração da mulher”.

Obeésse:

Atendendo a pedidos para reprisar o tema tão bem tratado por Dom Carlos Drummond de Andrade. E pedidos assim, como sabeis, não se pode recusar (Oleari).

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