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sbado, 18 de novembro de 2017

José Augusto Loureiro será homenageado pelo 22º Festival de Cinema de Vitória


Ator e artista plástico capixaba tem mais de 50 anos de carreira dedicados ao teatro, cinema e televisão


Por Ingrid Pagani

Com 70 anos completos no último mês de abril e em plena atividade, o ator e artista plástico José Augusto Loureiro foi protagonista e acompanhou de perto a cena teatral capixaba dos últimos 50 anos. 

Apaixonado pela arte de interpretar e sempre atento às transformações da política cultural local, ele será o homenageado capixaba do 22º Festival de Cinema de Vitória, evento que acontece entre os próximos dias 11 e 16 de setembro, em Vitória.

José Augusto tem 52 anos de carreira como ator e participou de cerca de 70 trabalhos para o teatro, cinema e televisão. Durante o 22º Festival de Cinema de Vitória, será feita a exibição de estreia de um dos seus últimos trabalhos para a telona no curta-metragem “+1 Brasileiro”, de Gustavo Moraes. Na noite de abertura do Festival, ele subirá ao palco do Theatro Carlos Gomes para receber o abraço do público.

Recentemente aposentado como servidor público estadual, trabalhou, por 37 anos, em órgãos da política estadual de cultura onde participou da criação da Galeria Homero Massena, percorreu diversos municípios capixabas realizando oficinas e apresentações de teatro e desenvolveu ações para as áreas das artes cênicas e artes visuais.

Aos 37 anos, ingressou no Curso de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, mas não concluiu a graduação. Entre as décadas de 1980 e 2000, chegou a participar de diversas exposições coletivas e individuais. 

Em 1984, ficou em segundo lugar no Salão Codesa com o quadro “Penedo Ponto de Tensão”. Em 2001, teve dois trabalhos expostos na 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, em Porto Alegre-RS.

Infância inventiva

Filho do meio de uma família de três irmãos, José Augusto nasceu em Santa Teresa, na região serrana capixaba, onde morou até os 8 anos. Dessa época, ele recorda do cotidiano próximo à natureza, da casa cujo quintal era cortado por um rio e dos brinquedos feitos artesanalmente: 

– “Percebo que muitas das minhas criações em artes plásticas têm a ver com aquela fase no início da minha vida em Santa Teresa. As formas, os mecanismos, isso tudo são coisas que fizeram parte da minha infância”.

Aos 8 anos de idade, mudou-se com a família para o Centro de Vitória. Situada na Rua Maria Saraiva, a nova residência não possuía janelas, contava apenas com porta na frente e nos fundos, e dispunha de um corredor onde José Augusto, juntamente com os irmãos e outras crianças vizinhas, pendurava lençóis e guarda-chuvas para brincar de teatro.


O gosto pelo teatro

Aos 18 anos, fez sua primeira participação no teatro como protagonista da peça “Elite”, trabalho considerado pelo próprio ator como incipiente. Em seguida, fez teste para o Grupo Geração, que era conduzido por Antônio Carlos Neves, o Toninho Neves. A seleção não lhe rendeu a vaga de ator, mas sim um convite para fazer a iluminação de um espetáculo. 

–  “Fizemos o spot com latas de doce de abacaxi, pois não havia equipamento adequado e a gente tinha que inventar”, relata Loureiro.

José Augusto conta que era um jovem muito tímido e, mais do que o interesse pelo ofício de ator, a sua vontade de fazer teatro foi motivada pela sociabilidade e acolhida que teve do meio teatral: 

– “O barato de interpretar, descobri depois. Percebi que era com aquelas pessoas com quem eu queria conviver, era com elas com quem conseguia me comunicar. Eu nunca havia experimentado aquilo antes”.

Após o Grupo Geração, José Augusto integrou o grupo de teatro da Fundação Cultural do Espírito Santo sob a direção de Gilson Sarmento. Principalmente com montagens de peças infantis, essa experiência lhe rendeu, sobretudo, a disciplina e o método necessários para sua formação básica como ator.

Desde então, José Augusto passou a atuar em diversos espetáculos sem se fixar em grupos ou companhias. Seu primeiro prêmio no teatro foi o de Melhor Ator concedido pela crítica do jornal A Gazeta por sua atuação em “Mamãe Desce ao Inferno”, texto de Amilton de Almeida dirigido por Renato Saudino em 1982.

Em 2004, é novamente premiado como melhor ator no Festival de Teatro de São Mateus por sua atuação no espetáculo “Os Coveiros”, texto de Bosco Brasil, cujo elenco também contava com Ednardo Pinheiro (in memoriam). Produzida com reduzido orçamento e de maneira quase artesanal, essa peça foi apresentada nos palcos capixabas por 13 anos, certamente um marco na história do teatro capixaba.

José Augusto também foi premiado como cenógrafo por suas criações em “A Barca do Inferno” no Festival de Teatro São Mateus de 1983, espetáculo que ainda lhe rendeu a indicação de Melhor Ator nesse mesmo festival. Em 1995, recebe o prêmio de Melhor Cenário do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões no Estado do Espírito Santo pela montagem de “Bella Ciao”. Seu último trabalho como ator para o teatro foi em “A Casa Escura”, peça apresentada no início deste ano.

Além da interpretação e da cenografia, realizou trabalhos de direção, principalmente de espetáculos infantis, e, em algumas montagens, chegou a exercer mais de uma função. Entre 1991 e 2010, José Augusto foi o mantenedor do Teatro Galpão, espaço que funcionou na Av. Nossa Senhora da Penha, Vitória, possibilitando a estreia e permanência em temporadas de grupos locais, nacionais e internacionais.

Carreira no cinema

Antes de interpretar para o cinema, José Augusto experimentou fazer televisão entre a década de 1970 e 1980. A convite de Toninho Neves, integrou o elenco de alguns episódios dos “Telecontos” – produções dramatúrgicas para a TV com textos de autores capixabas, e foi produtor e repórter do programa “Gente Nossa”, ambos na TV Educativa do Espírito Santo. Além desses trabalhos, atuou em comerciais de TV veiculados pela TV Gazeta.

Sua primeira atuação no cinema foi no longa-metragem “Vagas para Moças de Fino Trato”. Gravada em 1991, essa comédia, dirigida por Paulo Thiago, contou com um elenco formado por Norma Bengel, Lucélia Santos, Maria Zilda Bethlem, Paulo César Peréio, Paulo Gorgulho, Marcos Frota, Luís Tadeu Teixeira e Alvarito Mendes Filho. Além desse, José Augusto traz em seu currículo outros quatro filmes de longa-metragem: “Lamarca” (1994), de Sérgio Rezende; “Fica Comigo” (1998), de Tizuka Yamasaki; “A Morte da Mulata” (2001), de Marcel Cordeiro; e “Policarpo Quaresma, O Herói do Brasil” (1998), de Paulo Thiago.


Em curtas-metragens, chegou a participar em cerca de 20 produções. Nas duas primeiras, atuou sob a direção do diretor capixaba Marcel Cordeiro: “Passo a Passo com as Estrelas” (1995) e “Flora” (1996). Em 2002, recebeu Menção Honrosa do 9º Vitória Cine Vídeo pela sua atuação em “Baseado em Estórias Reais”, (foto à esquerda) de Gustavo Moraes. Foi com esse diretor que José Augusto mais fez trabalhos para o cinema: “Classe Média Urbana Brasileira” (2004) “Até Quando (foto abaixo, 2008), “+1 Brasileiro” (exibição de estreia no 22º Festival de Cinema de Vitória) e “Atrás da Bola” (ainda inédito).


O 22º Festival de Cinema de Vitória é uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA) e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Prefeitura Municipal de Vitória, com parceria da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, além do apoio institucional do Instituto Sincades e do apoio do Canal Brasil, CiaRio, DOT, Mistika, Cinecolor, Cesan, Ufes e site Adoro Cinema.

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