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domingo, 27 de setembro de 2020

Marilena Soneghet: O 1/5 e os 2/5 dos infernos – recordando nossa história

Nota do Editor Chefão:

– A cronista e escritora repassou o textim sobre o “Quinto” a título de se rememorar que desde a Coroa Portuguesa o povo é esfolado com impostos exagerados para sustentar as cortes.

Na época, eram os “nababos”, a vida faustosa. Na atualidade, além da ladroeira generalizada, a casta que se instalou nos Podres Poderes deita e rola nos cartões corporativos.

Revisão ao pé da legenda: “todos os impostos da Colônia Brasil iam para o Rei.

 


Um pouco de historia do Brasil aos meus amigos…

Durante o Século 18, o Brasil colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.

Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de “O Quinto”.

Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.

O “Quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam “O Quinto dos Infernos”.

E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.

A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os “quintos atrasados” de uma única vez, no episódio conhecido como “Derrama”.

Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de “Inconfidência Mineira”, que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes


De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira chegou a quase 36% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção.

Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos” de impostos…

Para quê?

Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de “Diretores”? A festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar nos Poderes?

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa!

Pois é, e pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!

Marilena Sonheghet

escritora e cronista

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