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sbado, 18 de novembro de 2017

Poesia todo dia – Sobre o beijo: Florbela Espanca e Menotti Del Pichia – Rubens Pontes

Preclaro amigo Oleare

Chuvinha implicante como essa que ensombra Manguinhos nesta manhã
de fim de novembro coloca também um pouco de cinza na alma
da gente…

Se olhar para fora, pela janela semiaberta, em nada nos anima, o
recurso é olhar para dentro buscando refúgio – como faço agora – lendo
versos que nos encantam, capazes de ensolarar até disposição nublada…

Partilho com você Floberla Espanca e Menotti Del Pichia, dois estilos,
uma sensível e frágil, outro reinando como um cardeal do Século XIX…
Ambos, ao seu modo, falando sobre o beijo…

De Floberla Espanca

Se tu viesses hoje à tardinha

Se tu viesses hoje à tardinha
A essa hora dos mágicos cansaços
Quando a noite de manso se avizinha
E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte…os teus braços
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas de um beijo
E é seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol da minha boca
Quando os olhos se correm de desejo
E os meus braços se estendem para ti.


De Menotti Del Pichia

Pequeno trecho do diálogo
entre Arlequim e Pierrot em 

“As Máscaras”

O beijo da mulher! Ó sinfonia louca
da sonata que o amor improvisa na boca…
No contato do lábio, onde a emoção acorda
sentir outro vibrar, como vibra uma corda…
À vaga orquestração da frase que sussurra
ver um corpo fremir tal qual uma bandurra…
Desfalecer ouvindo a música que canta
no gemido de amor que morre na garganta…
Colar o lábio ardente à flor de um seio lindo,
ir aos poucos subindo… ir aos poucos subindo
até alcançar a boca e escutar, num arquejo,.
o universo parar na síncope de um beijo!





Tenha, amigo, um dia possível
Abraço do Rubens.

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