Menu

tera, 22 de setembro de 2020

Aqui Rubens Pontes: Os 7 pecados capitais


– “Caro Oswaldo Oleare

Jornalista, cronista, radialista, produtor, comendador, enófilo – sei que você tem mais títulos do que os 7 Pecados Capitais marcados nos Provérbios do Livro Sagrado, fato que justifica uma dúvida, relacionada com a sua programada visita a Manguinhos.

Historicamente, nos saudamos com uma – retifico – várias taças de vinho. 

Essa degustação me leva inevitavelmente a associar a bebida a um prato da nossa culinária (sei que você, expert que é, olha o rótulo da garrafa antes de abrir o menu).

No meu caso uma costela de porco temperada com essências que abriram um dia os chamados Caminhos das Índias, pinceladas com uma mistura de mostarda e mel antes de ir para o forno. 

Sobe a taxa de colesterol, ganha dela o prazer do assado..

Ai é que mora o perigo.

Os Provérbios registrados na Bíblia, 23:20-21, não são passíveis de dúvida quando expressam o primeiro dos Pecados sem remissão:

– Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne.

Entendo no entanto, Oswaldo Oleare, que nem o sábio Juiz Moro me condenaria a um confinamento em Curitiba se eu a ele delatasse essa falha de visão da eternidade diante de minha quase profissão de fé:

– Não pratico avareza, luxúria, não guardo o sentimento da ira, da inveja, não mais tenho orgulho ou vaidade (deixo propositadamente de fora a preguiça). É que, nesses dias quentes que antecedem a chegada do verão sou atraído pelo balanço da rede, Machado de Assis e Guimarães Rosa disponíveis, as crônicas de Rubem Braga, a poesia de Bandeira, os textos do Orlando Eller, aguardando o som da Rádio CBM em underground), penúltimo pecado que completa os 7 marcados pelo Vaticano.

E mais, ouso lembrar um provérbio enunciado na língua do clero que alicerça essa esperança:

– Semel in ano licet insanire (*).

Finalmente, amigo e companheiro, bato no peito três vezes se estiver cometendo heresia ao lembrar que Jesus – em quem deposito toda a minha fé – transformou água em vinho e o serviu aos seus 12 apóstolos.

Evoé, Baco!

Abraço. Rubens”.

 (*) – “Uma vez ao ano é permitido perder o juízo.”‘ – Dito adaptado de Sêneca (à direita).

Pitaco do Oleari

Rubens, meu caro, sou um devoto desse um aí, o Sêneca nesse caso tão especial. 

Embora não seja também tão fanático. Já perdi o juízo tantas vezes no ano – neste 2015, que já vai tarde, e em outros pratrasmente – que te digo uma coisa: vou programar pra passar numa hora boa, numa quidê procê pincelá a costelinha com mel e outras ervas – opppsss! – e caprichá no forno.

Como diz meu amigo Norival Perini, um parmerense quitá quinem pinto robô no lixo eletrônico, do jeito cocê vié eu vô de três palitim – não é assim no jogo de porrinha? (Oswaldo Oleari).

Rubens Pontes
é jornalista, poeta, escritor,
cozinheiro
(Ele detesta o nome Chef. Bem humorado sempre,
ele diz: “quem tem Chef é índio”.

Comentários