Menu

tera, 16 de julho de 2019

Poesia todo dia – Chão de Estrelas – Orestes Barbosa e Silvio Caldas – Seleção de Rubens Pontes

CHÃO DE ESTRELAS 
(Orestes Barbosa / Sílvio Caldas)

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de ‘doirado’
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Nosso barracão no morro do salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na janela qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

ALBUM: O BOÊMIO & O PIANISTA (1992) RCA/BMG-ARIOLA

CHÃO DE ESTRELAS – 
NELSON GONÇALVES & ARTHUR MOREIRA LIMA

Comentários