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sexta, 17 de novembro de 2017

Fundação de Cultura da Bahia reúne trabalhos do diretor na Mostra Penna Filho em Salvador


A Mostra organizada pela Diretoria de Audiovisual da Fundação de Cultura do Estado da Bahia reúne trabalhos do diretor Penna Filho, que faleceu no ano passado, deixando um legado de humanidade em sua obra. Penna nasceu em Vitória, no Espírito Santo, e fez carreira em São Paulo. 

Em meados dos anos 90, ele passou a viver na ilha de Santa Catarina, terra natal de sua mulher, e montou a produtora Penna Filho Produções. A produtora marcou o retorno do diretor ao cinema com o curta-metragem Naturezas Mortas (1995) – Kikito do Júri Popular, no Festival de Gramado; Margarida de Prata da CNBB; Prêmio Resgate do MinC e Prêmio de melhor documentário do 25º Festival Internacional de Cinema do Algarve, Portugal.

Em sua produtora, Penna escrevia roteiros, compunha músicas para os filmes e organizava suas produções. Seus filmes levaram para as telas a história de personagens que ele considerava excluídos da história brasileira, como Victor Meireles e a índia kaingang, Fendô, e sua longa luta para a recuperação das terras do seu povo no Oeste de Santa Catarina.

Em seu último filme, Das Profundezas, o diretor voltou ao tema da mineração. O filme foi exibido no Florianópolis Audiovisual Mercosul 2015, no 22º Festival de Cinema de Vitória e foi premiado no 10º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões, onde recebeu o trófeu Cacto de Ouro de Melhor Direção de Arte.

Em novembro do ano passado, o diretor foi homenageado (in memoriam) com a Medalha de Mérito Cultural Cruz e Sousa, um prêmio simbólico conferido a autores de obras literárias, artísticas, educacionais ou científicas, relativas ao Estado de Santa Catarina e reconhecidas como de real valor, ou a quem tenha contribuído de modo eficaz para o enriquecimento ou a defesa do patrimônio artístico e cultural do Estado.

PROGRAMAÇÃO

Dia 18: Das Profundezas – 88”

Dia 19: Alma Açoriana – 53”




Dia 20: Fendó / Naturezas Mortas – 15” – Victor Meirelles 10” – Treiler do filme

Dia 21: Doce de Coco –

Dia 22: Um Craque chamado Divino – 112”

Dia 23: Fendó/ Naturezas Mortas/ Victor Meirelles –

Dia 24: Das Profundezas –

FILMES

Das Profundezas – Longa digital. 2013.
Filme vencedor do Prêmio Cinemateca
Catarinense / Fundação Catarinense de Cultura
Melhor Direção – troféu Cacto de Ouro – 10º Encontro
Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões

Doce de Coco – Longa, 35mm
2009. Lançado em 2008, com distribuição da
Pandora Filmes/SP. Filme vencedor do
Prêmio Cinemateca Catarinense/Fundação Catarinense de Cultura.

Na foto, o diretor Penna Filho e Ademir da Guia no lançamento do filme: Um craque chamado Divino (Ademir da Guia) – 6.fev.2006



Um Craque Chamado Divino – longa,
35 mm. 2006. Lançado em 2006, com distribuição da Pandora Filmes/SP; lançado em DVD em abril/2007, pela Europa Filmes/SP.

Alma Açoriana – Média 16 mm. 2001.
Penna Filho Produções (Lei Rouanet)
Selecionado para os festivais Vitória
Cine Vídeo (Vitória, ES) e CineEco –
Festival de Cinema e Vídeo de Ambiente,
de Serra da Estrela/Portugal.

Fendô – Tributo a Uma Guerreira
Média digital. 2000. Penna Filho Produções
(apoio Unisul e Unoesc). Melhor
Vídeo Educativo no festival temático I
Terra em Foco(Contag/Brasília) e Menção
Honrosa (CineEco, Portugal) 2000.

Victor Meirelles – Quadros da História
Curta 35 mm. 1996. Penna Filho
Produções (Lei Rouanet). Selecionado
para vários festivais e ao Prêmio Funarte
(pela divulgação do patrimônio histórico).

Naturezas Mortas – Curta 35 mm.
1995. Penna Filho Produções (Prêmio
Resgate MinC/94). Participação em
vários festivais e premiações importantes
(Gramado: Kikito do Júri Popular;
OCIC/CNBB: Margarida de Prata; Melhor
Documentário no 25º Festival Internacional
de Cinema do Algarve, Portugal).

Penna Filho e seu legado de humanidade

Penna Filho nasceu em 11 de março de 1936, em Vitória, Espírito Santo. Jovem, iniciou a carreira nas redações do jornal A Tribuna e nas emissoras de rádio capixabas, exercendo múltiplas funções, como locutor, rádio-ator, redator, repórter, produtor e diretor artístico.


Aos 23 anos, transferiu-se para São Paulo, respondendo pelo departamento de divulgação da Organização Victor Costa, empresa composta, na época, pela TV Paulista e rádios Nacional e Excelsior, adquirida posteriormente pelas Organizações Globo.

Após a experiência no jornalismo, decepcionado com a repressão e censura da ditadura, passou a dedicar-se a sua paixão pelo cinema, atuando como ator, continuísta eassistente de direção. Nos anos 60, atuou na equipe de Mazzaropi, com participações em filmes como O Corinthiano e O Puritano da rua Augusta.

Sua estreia como diretor foi em Amores de um cafona (1969), uma comédia romântica e intimista, que resultou num filme de “caco” típicos da camada chanchada carioca; o segundo foi O Diabo tem mil chifres (1970), que a censura do regime militar considerou “imoral e iconoclasta”; e o terceiro foi Até o último mercenário (1971), uma aventura produzida por Ary Fernandes no estilo dos seus seriados Vigilante Rodoviário e Águias de Fogo.

O longa censurado marcou a carreira e a vida de Penna Filho, foi seu trabalho mais pessoal, retido pela censura até o final dos anos 70. Durante aquele período, ficou afastado do cinema, dedicando-se á televisão com trabalhos na TV Globo (Globo Repórter e Fantástico) e na TV Cultura. A série documental Câmera Aberta, da Cultura, que assinou como editor e para a qual dirigiu vários documentários, teve o reconhecimento da APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte em 1982/1983 com o Prêmio de Melhor Programa de Pesquisa.

Envolvido em novos projetos, transfere-se para Florianópolis (SC), onde se dedicou à publicidade e aos vídeos educativos. Com o curta-metragem “ Natureza Mortas” (1995), Penna Filho retorna ao filme de 35mm. O curta ganhou o Prêmio Resgate do MinC, o Kikito do Júri Popular, no Festival de Gramado, o Margarida de Prata da CNBB, e o prêmio de Melhor documentário do 25º Festival Internacional de Cinema do Algarve, Portugal.

Em Alma Açoriana (2001), o diretor revelou seu olhar sobre a cultura da ilha de Santa Catarina, retratando a sabedoria e a simplicidade do povo açoriano. Em 2006, dirigiu o documentário “Um craque chamado Divino”, sobre Ademir Guia, um dos mais expressivos nomes do futebol brasileiro dos anos 60 e 70.


Penna Filho sempre esteve comprometido com as causas sociais e levou para as telas personagens que considerava excluídos da “história oficial” como Ademir da Guia, o pintor Victor Meirelles e a índia kaingang Fendô e sua longa luta para a recuperação das terras do seu povo, no Oeste de Santa Catarina.

Com “Doce de Coco” (2009), o diretor voltou à ficção. Vencedor do Prêmio Cinemateca Catarinense, o filme foi visto por mais de 30 mil pessoas e ganhou reconhecimento nacional com a sua seleção para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Em 2013, os trabalhadores das minas de carvão voltaram a ser protagonistas no longa metragem Das Profundezas, que também recebeu o prêmio da Cinemateca Catarinense. O último filme dirigido por Penna Filho é inspirado em fatos reais e retrata a greve histórica realizada em 1987,que resultou na primeira experiência de auto-gestão operária no sul do Brasil. Preparado para atuar em condições extremas, o diretor desceu a mais de 150 metros de profundidade para mostrar as perigosas e lamentáveis condições de trabalho no interior das minas.

Penna Filho faleceu aos 79 anos, em Florianópolis, no dia 30 de abril de 2015.

Servço
18 de fevereiro – 24 de fevereiro
18 de fevereiro às 17 horas a 24 de fevereiro

Sala Walter da Silveira
Rua General Labatut N°27 Barris, 40070-100 Salvador

Enviado por Fabiana Heilmann Penna

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