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tera, 21 de novembro de 2017

Rubens Pontes: Meus Poemas de sábado / Carlos Nejar e Fernando Pessoa


Os rios da vida de Rubens Pontes


– Ouvi Paulinho da Viola e seus versos balançaram meu coração:
“Foi um rio que passou em minha vida…” 


– Pois, percuciente Oleari, vivi alguns dos bons momentos do passado nas barrancas de rios como o velho Chico, o sereno Paraopeba, o imponente Araguaia, o sofrido Rio Doce, que banha sem esperança sua tão cantada Colatina.

Presto a todos os rios do Mundo minha homenagem neste sábado povoado de interrogações políticas, com dois poemas de dois notáveis poetas: Fernando Pessoa e Carlos Nejar.

Ex-totto-corde,
Rubens”.





De Carlos Nejar

NOSSA SABEDORIA É A DOS RIOS

Nossa sabedoria é a dos rios.
Não temos outra.
Persistir, ir com os rios,
onda a onda.

Os peixes cruzarão nossos rostos vazios.
Intactos passaremos sob a correnteza
feita por nós e o nosso desespero.
Passaremos límpidos.

E nos moveremos
rio dentro do rio
corpo dentro do corpo,
como antigos veleiros.

De Fernando Pessoa

ENTRE O SONO E O SONH0

Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,

Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, já passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.







Rubens Pontes
é jornalista






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