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quarta, 23 de outubro de 2019

Rubens Pontes: meu poema de sábado / A Noite de Meu Bem, Dolores Duran



– “Preclaro Oleare,
Lá pelos idos de 1960, fui com amigos a uma boite no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro.

Na meia penumbra do ambiente chegaram-me os acordes de abertura de uma canção, doce, envolvente – uma oferenda – e, de repente, me senti só no meio de todos, quase levitando, envolvido pela voz intimista da cantora que surgiu como descendo do céu, anjo tornando-se mulher.

Dolores Duran (foto) cantava a “A Noite do Meu Bem.”

A entrega à interpretação era tão intensa que se calaram murmúrio e copos para ouvir os versos musicados, como seria entoado um poema de Floberla Espanca.

Meu poema deste sábado são os versos de A Noite do Meu Bem, uma belíssima composição da sofrida e imortal Dolores Duran. Para ouvir ou ler em genuflexão.
Rubens”.

A Noite do Meu Bem

Dolores Duran

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero a alegria de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ah, eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ah, como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda pureza (ternura) que eu quero lhe dar






Rubens Pontes
é jornalista






Um registro de 1959, ano em que Dolores Duran compôs A Noite de Meu Bem

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