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segunda, 28 de setembro de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Tocando em frente, Almir Sater e Renato Teixeira





– “Deferente Oswaldo Oleare


Os mistérios ainda não totalmente identificados sobre o comportamento do nosso

cérebro nos armam ciladas, felizmente nem todas daninhas como as pragas

que maculam as flores que a Natureza plantou..

Esta manhã, por exemplo, buscava em vão me lembrar de um poema de Pablo Neruda,
de que gosto muito, mas veja, Oleare, me veio à mente sua real identidade:

– Ricardo Eliécir Neftali Reys Basoalto, menos o poema.. Foi aí que minha memória semântica foi

deflagrada, pinçando, sem que fosse por mim acionado, o nome de Almir Sater – Almir Eduardo Melke Sater,
não cogitado nem pretendido.

Nada liga nem o nome nem circunstâncias um a outro, a não ser a genialidade

que deu a Pablo Neruba o Prêmio Nobel de Literatura (1971)
e a Almir Sater 3 Prêmios Sharp (1990).


Almir e Renato na casa de Renato na Serra da Cantareira, em São Paulo


O pantaneiro de Campo Grande, considerado pela Revista Rolling Stone

um dos 30 maiores instrumentistas brasileiros da guitarra e do violão,

assim sem ser convidado ocupou os espaços da minha memória,
conduzindo-me a uma de suas produções e à sensível mensagem contida
em “Tocando em frente”, que ele fez em parceria com Renato Teixeira, “um cara iluminado”, segundo Almir Sater.

Não me libertei dele e pedi licença a Pablo Neruda
para escolher (com os aplausos da Rádio Clube da Boa Música) os versos da canção como

meu poema deste sábado. Fiquei leve com a escolha e, mesmo
desafinado, cantei os versos que agora registro.

Sereno fim-de-semana.
Rubens”.

Estúdio de Almir Sater, também na 
Serra da Cantareita

Tocando Em Frente
Almir Sater e Renato Teixeira
  
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz



Rubens Pontes
é jornalista,
radialista,
publicitário




Almir e Renato falam que “Tocando em Frente” foi a composição mais rápida que fizeram juntos, “o tempo de passar um café”

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