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segunda, 09 de dezembro de 2019

Alvaro Nazareth: A História se repete




A História se repete.

Ou, os protagonistas constroem a repetição da História.


Há quem acredite que a História seja cíclica e se repita de tempos em tempos. Assim como o próprio tempo, que se repete em segundos, minutos, horas, dias, meses, décadas, séculos e milênios.

Mudam-se os atores, repetem-se as situações geradas por circunstâncias semelhantes, que exigem ações e reações idênticas. Não importa em que tempo estejam.

Em 1964, os militares tomaram o poder no Brasil. Depuseram o presidente João Goulart, o Jango, como era conhecido, eleito vice – é, naqueles idos os vices eram votados individualmente e tomava posse o que obtivesse mais votos, como aconteceu com Jango: vice de Loth (do PSD), tomou posse como vice de Jânio Quadros (da UDN).

Com a renúncia de Jânio em 25/08/1961 depois de apenas sete meses de governo, Jango foi empossado como o 23º presidente do Brasil. E apeado do poder pelos militares em 31/03/1964.

Os militares, na época, alegaram um feixe de motivos para justificarem o golpe. O principal, porém, nada mais foi do que estar o País presidido por um presidente que já não presidia.

Agora, em 18/05, em reunião, os comandantes militares comunicaram ao ministro da Defesa, Raul Jungman, sua preocupação diante da situação complicada do presidente Michel Temer. Um ex-vice não votado, mas que, dentro das regras vigentes, sucedeu constitucionalmente a presidente afastada também constitucionalmente.

Que não preside mais, porém.

Quando militares entendem que algo está complicado é porque está insustentável. E é esta a situação do presidente Michel Temer. Não preside mais. Corre o risco de pedir que o garçon lhe sirva um café e ouvir: vá pegar, se quiser; aproveite e traga um pra mim também.

Ou Temer entende isto, ou a História poderá, sim, se repetir. Patrocinada por ele.


Alvaro Nazareth é Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.

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