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tera, 21 de novembro de 2017

Cine Jardins exibe panorama do documentário contemporâneo em Mostra com filmes internacionais inéditos ao Brasil

Por Paulo Gois Bastos


Seleção assinada por Gonzalo de Pedro (foto), curador do Festival de Locarno


A noção de um cinema dividido em dois campos opostos, irreconciliáveis ​​e complementares – o documentário e a ficção, fundados, respectivamente, pelos irmãos Lumière e por Georges Méliès – parece enganosa e não consegue explicar os limites entre esses dois gêneros audiovisuais. 

A Mostra Documentos Autorais vai discutir e conhecer as possibilidades de criação do documentário enquanto narrativa cinematográfica durante uma semana no Cine Jardins, em Jardim da Penha, Vitória-ES,  com a exibição de 12 documentários vindos de oito países diferentes. 

Esses filmes ainda não chegaram ao circuito nacional de festivais e serão exibidos pela primeira vez no Brasil durante a Mostra. Fazem parte da programação filmes de longa e de curta duração produzidos entre 2014 e 2016 e vindos do México, Canadá, Espanha, Chile, Equador, Bolívia, Bósnia e Brasil.

Quem assina a seleção desse panorama internacional do documentário contemporâneo é Gonzalo de Pedro, membro da equipe de programação do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, e diretor artístico do Festival Margenes.org, dedicado ao gênero. 

A principal intenção da Mostra, segundo seus idealizadores, Alberto Greciano e Ursula Dart, é, além de ampliar o acesso do público local a estas obras inéditas por aqui, é contribuir com uma reflexão sobre as possibilidades criativas da linguagem audiovisual e sobre o fazer documental na contemporaneidade.

Um gênero híbrido
Nem o documentário foi desde suas origens uma observação pura, talvez ele não foi até mesmo uma observação, assim como nem a ficção sempre foi impermeável à realidade, e ambos os gêneros têm afirmado por complexas e constantes mudanças. É neste cenário de pesquisa e interrogações acerca do conceito do documentário que a Mostra Documentos Autorais quer discutir a produção de filmes do gênero documentário, principalmente, o do documentário contemporâneo. A seleção de obras em exibição dará ênfase ao papel do autor nos documentários, aos seus pontos de vista diante de uma realidade e que, para tal, ele livremente acessa recursos tanto da ficção, da animação e quaisquer outros que caibam no audiovisual.

Sobre o curador
Natural de Pamplona, Espanha, Gonzalo de Pedro é programador e professor universitário. Atualmente é diretor artístico do festival Margenes.org, é membro da equipe de programação do Festival de Locarno, e colabora como programador associado no Distrital (México), Transcinema (Perú) e FICValdivia (Chile). Também trabalha como professor associado na Universidade Carlos III de Madrid. Foi coordenador de programação do Festival Punto de Vista e é membro do comité de selección do extinto Festival 4+1-Fundación Mapfre, ambos realizados na Espanha.

Gonzalo atua como programador para festivais, filmotecas e centros de arte como o FIDMarseille, Festival de Cine de Sevilla, Museo Reina Sofía, Anthology Film Archives, Lincoln Center, La Casa Encendida, Centro Galego de Artes da Imaxe, entre outros. Fez parte do conselho editorial da revista Caimán, Cuadernos de Cine (antigo Cahiers du Cinéma – Espanha), e colabora como crítico em veículos como Otros Cines Europa, El Cultural, Levante e Sensacine.com.

A Mostra Documentos Autorais é uma realização da produtora Ladart Produções, sediada aqui no ES, em colaboração com a MeninaZerkalo (Espanha) e conta com recursos do Fundo de Cultura do Espírito Santo (Funcultura), por meio do Edital nº 25/2016. O evento tem o apoio do Cine Jardins e da Universidade Federal do Espírito Santo. 

Mostra Documentos Autorais
Programação de Filmes

SEGUNDA-FEIRA (3 de julho)
19 horas

– Historias de dos que soñaron, de Nicolás Pereda e Andrea Bussmann (foto)
(México e Canadá, 2016, 86 minutos / Classificação 14 anos)
Sinopse: Em um complexo habitacional em Toronto, uma enorme serpente escapa e não é encontrada, uma criança que vira pássaro, um cachorro abandonado é fechado em um apartamento, um incêndio destrói todo um andar de um dos edifícios. Com estes vários relatos, o filme aprofunda o tema da representação e da auto representação / Principais festivais: 66o. Festival de Berlim, Festival Internacional de Cine de Cartagena (Colômbia).

– New Madrid, de Natalia Marín Sancho
(Espanha, 2016, 10 minutos / Classificação livre)
Sinopse: É um ensaio experimental sobre as cidades construídas como simulacro e sobre a utopia fracassada resultado da investigação de 8 povos chamados Madrid nos Estados Unidos / Principais festivais: Sitges Festival Cinema Fantástico de Cataluña (Espanha), Sevilla Festival de Cine Europeu (Espanha).

21 horas
– Mais do que eu possa me reconhecer, de Allan Ribeiro,
(Brasil, 2015, 72 minutos / Classificação 14 anos)
Sinopse: Uma solidão de oitocentos metros quadrados, em que o espelho já não lhe basta. Um artista plástico descobre na videoarte uma companheira inseparável. Darel não gosta de fazer cinema / Principais festivais: 48° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 39a Mostra Internacional de São Paulo, Melhor Filme no 18o. Mostra Tiradentes 2015.

– Satan Satie, de Juruna Mallon e Lucas Parente
(Brasil, 2014, 34 minutos / Classificação 14 anos)
Sinopse: “Um conquistador, de tempos em tempos, indomável, desola um canto do mundo e desaparece. Será o Diabo?” Inspirado nos desenhos, escritos e músicas de Erik Satie (França, 1866-1925) / Principais festivais: VII Semana dos Realizadores (2015), Visions du Réel – Festival de Cinema de Nyon (2016), 18o. Festival de Curtas de Belo Horizonte (2016).


TERÇA-FEIRA (4 de julho)
19 horas
– O que me motiva II (Como me da la gana II), de Ignacio Aguero,
(Chile, 2016, 86 minutos / Classificação livre)
Sinopse: Há mais ou menos 30 anos, o diretor Ignacio Aguero filmou “Como me da la gana”, um filme em que interrompia as filmagem dos que estavam filmando neste tempo para perguntar sobre o sentido de fazer cinema durante a ditadura. Hoje, quando os filmes chilenos se produzem em grande quantidade e circulam com êxito em festivais de cinema, o diretor interrompe as filmagens para perguntar acerca do que está sendo filmado o que é propriamente cinematográfico enquanto o próprio Ignacio toma suas notas acerca do que é cinematográfico / Principais festivais: Grande Prêmio no Festival Internacional de Cinema de Marseille (França) e Prêmio de Melhor Filme Iberoamericano no 21o Festival de Cine Internacional de Ourense (Espanha).

21 horas

– Território, de Alexandra Cuesta
(Equador, 2016, 66 minutos / Classificação livre)
Sinopse: Filmado no Equador, a viagem começa no Oceano atravessa as montanhas e desce na selva. Uma experiência atemporal a partir de imagens de pessoas e paisagens / Principais festivais: 28o Festival International de Cinema de Marseille (França), Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental, Brasil

– A casa cinza e as montanhas verdes, de Deborah Viegas
(Brasil, 2016, 16 minutos / classificação livre)
Sinopse: Um olhar atento à natureza / Principais festivais: 27o. Festival Internacional de Curtas de São Paulo, 5o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba


QUARTA-FEIRA (5 de julho)
19 horas
Todas as cidades do norte (All the cities of the north), de Dane Komljlen,
(Bósnia, 2016, 100 minutos / Classificação 14 anos)
Sinopse: Boban e Boris vivem dentro de um conjunto de bangalôs abandonados. Alguém mais entra neste espaço isolado e seus padrões são perturbados. O mundo fora chega e traz histórias de outros tempos, de cidades ao norte e ao sul, de como algo é feito. O amor pode ser frágil quando não é dado um nome. Não, não me chame de “camarada”. O que devo chamá-lo, então? / Principais festivais: Festival Internacional de Locarno (Suíça), Festival de Cinema de Nova York, Festival Internacional de Cinema de Rotterdam (Países Baixos), Festival de Cinema de Hong Kong

QUINTA-FEIRA (06 de julho)
19 horas
– África 815, de Pilar Monsell,
(Espanha, 2014, 66 minutos / Classificação 14 anos)
Sinopse: A diretora Pilar Monsell mergulha nos arquivos fotográficos e nos diários do pai dela, sobre a experiência dele durante o serviço militar na colônia espanhola do Saara em 1964. Pilar decobre o paraíso perdido em que o pai dela sempre tentaria voltar / Principais festivais: Festival Margenes (Espanha), Cinema du Réel (França)

– ECO, de Xacio Baño
(Espanha, 2015, 20 minutos – classificação 14 anos)
Sinopse: José e sua namorada estão desmantelando a casa de seus pais. Marcas nas paredes, caixas de memórias. Trinta anos para construir uma vida e dois dias para remover. Sacudindo os tapetes, a poeira invade a casa / Principais festivais: 68o Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suíça), XII Festival de Cinema Europeu de Sevilla (Espanha), 18o BAFICI – Buenos Aires Festival de Cine Independente (Argentina)

SEXTA-FEIRA (7 de julho)
19 horas

– Viejo Calavera, de Kiro Russo
(Bolívia, 2016, 88 minutos / Classificação indicativa 14 anos)
Sinopse: O pai de Elder faleceu. Sem ninguém, ele vai morar com sua avó nos arredores da cidade mineira, Huanuni, onde Francisco, seu padrinho, dá-lhe um emprego na mina. Elder logo descobre um segredo sobre o envolvimento de Francisco com a morte de seu pai / Principais festivais: Festival Internacional de Singapura, Festival de Cinema de Jeonju (Coréia do Sul), Festival de Cinema de Locarno (Suíça)

– Muerte Blanca, de Roberto Collío
(Chile, 2014, 17 minutos / Classificação indicativa 14 anos)
Sinopse: Um passeio fantasmagórico entre os vestígios de uma história em que quarenta e quatro jovens soldados e um sargento foram empurrados para suas mortes na região montanhosa de Antuco / Principais festivais: Festival de Cinema de Locarno (Suíça), 57o. DoK Leipzig – Festival Internacional de Curtas documentários (Alemanha), 22o. Ozu Festival de Cinema (Itália).

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