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sbado, 14 de dezembro de 2019

Aqui Rubens Pontes; Meu poema de sábado – Trovas de Elmo Elton, “O poeta da cidade”

Menestrel Oswaldo Oleare

Desde esta bucólica cidadezinha mineira de Capim Branco, plantada nas montanhas das Gerais, lendo nesta fria manhã de sábado
as trovas de Soares da Cunha, amigo desde a juventude, tenho um pensamento de boa saudade dos meus
descompromissados dias de Manguinhos, onde, também lá, sempre dedico meus finais de semana desfrutando
da criativa composição dos nossos poetas maiores.

Leio trovas, e confirmo ser o Espírito Santo, mais do que qualquer outro Estado brasileiro, um cultuador deste
difícil e conciso gênero da nossa poesia, como os haikais dominados pelo nosso saudoso Marien Calixte.

Essa tradição remonta a José de Anchieta, nos remotos tempos da colonização, quando o jesuíta produziu,
escrevendo em tupi, o que seria certamente a nossa primeira trova:

Saraujá jamo oiroiko
Kaape orojmoñanga
Orojú nde mornónga
Oré aiba reropó.

Vivemos como selvagens
somos filhos da floresta
vamos saudar-te
renunciamos aos vícios.

(rima impossível, na tradução literal)

Um dos grandes trovadores contemporâneos do Espírito Santo é o jornalista, historiador, ensaísta, membro da Academia Espírito-Santense de Letras, Elmo Elton Santos Zamprogno,
denominado com louvor “O Rei dos Trovadores Capixabas”.

A repercussão de sua extensa obra deu origem à criação do “Dia Estadual do Poeta Capixaba”, promulgada a Lei
número 9578, de 1º de Dezembro de 2010. 

O Instituto Histórico e Geográfico mantem todos os seus bens e produção arquivados em sua Sala de Cultura.

Somam-se às dezenas os trovadores nascidos no Espírito Santo e seria até injusta a omissão de alguns nomes
mas vale ressaltar autores como Athayr Cagni, Joubert de Araújo Silva, João Motta, Evandro
Moreira (todos de Cachoeiro do Itapemirim),

Clério José Borges de Sant’Anna (de Vila Velha/ES, Membre d’Honneur” do Club des Intelelltueeles Français, Paris,) Zedane Tavares (de Vila Velha/ES),
Luiz Simões (Guarapari/ES), Marcos Tavares, Paulo Freitas; Roosevelt da Silveira (de Alegre/ES), Paulo Monteiro, juiz-de-forano radicado em 
Vitória/ES.

A todos, inclusive aos que por omissão de memória deixaram de ser citados, as homenagens desta Coluna e das instituíções que a mantem,
Portal Don Oleari e Rádio Clube da Boa Música.

Rubens”

Numa espécie de PS, um registro: Milson Henriques, multi-media de saudosa memoria, venceu, em 1981, o III Concurso Interno do CTC, Carnaval, sob o tema

“Colombina” com a trova:

Fui Pierrot num Carnaval
num outro fui Arlequim.
Mas Colombina, afinal,
fez um palhaço de mim.
………………………………………………………………

Leiamos neste sábado, adoçando o inicio de Agosto – mês que nos traz alguns maus registros históricos,
algumas trovas do nosso poeta laureado 
Elmo Elton Santos Zamprogno.



Conheço bem teu valor,
trilhamos igual caminho:
– Sei que te chamam flor,
mas, nessa flor tem espinho!

………………………………………..

Minha filha, não te iludas
com os beijos que te vão dar,
que os descendentes de Judas
estão em todo lugar.

……………………………………….

Este pranto, sentimento,
deixa eu chora-lo, tristonho,
que ele alivia, óleo bento,
a cicatriz do meu Sonho.

……………………………………

Anda a caçar pirilampos,
e, se consegue prendê-los,
desses insetos faz grampos
para enfeitar os cabelos.

…………………………….

Bate este sino, às novenas,
chamando o povo à oração:
– meu coração bate, apenas,
chamando por Conceição!




Rubens Pontes
jornalista,
radialista,
escritor,
trovador




Passos, saltos & quedas,
livro de Rubens Pontes no linki abaixo:

https://rubenspontes.com.br/ 

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