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quinta, 23 de novembro de 2017

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Os versos que te dou, J. G. de Araújo Jorge



– Novador Oswaldo Oleare:

Repórter imberbe, lá pelos anos de 1960, fui designado pela chefia da Redação do Jornal “Folha de Minas”
para produzir uma matéria com o interventor no Território do Acre, um coronel do Exército, em visita a Belo Horizonte.

– Acre? nunca ouvira falar, além de ter sido uma região de mata cerrada na longínqua
Amazônia Legal, comprada à Bolívia por 2 milhões de libras esterlinas e outras
vantagens adicionais diplomaticamente tratadas pelo Barão do Rio Branco, em 1903.

Coronel e engenheiro José Guiomard dos Santos? O que pude previamente levantar
foi o fato de ter ele cursado Escola Militar de Barbacena, na Serra da Mantiqueira,
e ter se tornado mais tarde amigo do então presidente da República, marechal Eurico Gaspar Dutra.

Produzida e publicada a entrevista, o inesperado. Um convite para me transferir para o
longínquo território com a finalidade de instalar e dirigir a Imprensa Oficial do Acre.
Bípede implume, movido pela irresponsabilidade que dominava a ousadia dos jovens,
conversei com a direção do jornal e voei com o coronel para o Acre: um avião DC-3 que até
então transportara pracinhas na segunda guerra, barulhento, absolutamente sem
conforto, com longos bancos laterais substituindo acentos individuas, enfim, longas e monótonas
horas a perder num voo perigoso sobre a floresta sem fim.

Uma odisseia capaz de matar Dante Alighieri de inveja. Simplificando, fui, vi, não gostei, agradeci e voltei.

Toda essa extensa introdução me conduz, ao final, aonde quero chegar.

Há, no hoje Estado do Acre, além de sua Capital Rio Branco, uma pequena cidade chamada Xapuri,
com 16 mil habitantes Ilhados por indigenas semi aculturados, por extensos seringais e pelos rios que a cercam.

Pois em Xapuri nasceram, numa impressionante relação proporcional com o número dos seus habitantes,
personalidades como

Jarbas Passarinho, ex- ministro, Adib Jatene, médico e ex-ministro da Saúde, João Donato (à esquerda), Chico Mendes, Marina Silva, Armando Nogueira (à direita), José Vasconcelos
Enéias Carneiro (“meu nome é ´Eneias”), Gloria Pires.

Yolanda Fleming, fotos, a primeira mulher a governar um Estado brasileiro.

A homenagem desta coluna e, por extensão, do Portal Don Oleari e da Rádio Clube da Boa Música,
faz lembrar outro acreano, também ilustre, nascido na Vila de Tarauacá, 

e que teria seu nome imortalizado como
um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos, J.G. de Araujo Jorge.

Produziu e editou 36 livros exclusivamente de poesia, foi locutor e redator de programas radiofônicos,
professor de História e Literatura no tradicionalíssimo Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, cidade para a qual se transferira, jovem
ainda, embasado pelos estudos realizados em Coimbra e pelos cursos de extensão cultural completados em Berlim.

Ingressando na política, foi eleito deputado federal para três legislaturas sem, no entanto, abandonar a poesia que fizera
dele nome admirado em todo o País.

Neste mês de agosto, de má memória para nós – suicídio de Getúlio Vargas e morte de Juscelino Kubitschek – também
chamado de “mês do cachorro louco” ( ensinam que a simpatia para afastar o azar consiste em se usar uma camisa ao avesso),
o melhor mesmo é esquecer tudo isso, acreditar que o presente nos prepara para o futuro e ler, em silêncio, apenas
com o som da Rádio Clube da Boa Música em back ground, os versos do acreano J.G. de Araújo Jorge.

Até a próxima semana, Rubens”.

OS VERSOS QUE TE DOU

J. G. de Araújo Jorge


Ouve estes versos que te dou, eu os fiz
hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos … e serei feliz …

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois …
esse passado que começa agora …

Estes versos repletos de ternura
são versos meus, mas que são teus, também …
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém
que possa perturbar nossa ventura …

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los
nas lembranças que a vida não desfez …

E ao lê-los … com saudade em tua dor…
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez …

Se nesse tempo eu já tiver partido
e outros versos quiseres, teu pedido
deixa ao lado da cruz para onde eu vou …

Quando lá novamente, então tu fores,
podes colher do chão todas as flores,
pois são versos de amor que ainda te dou.





Rubens Pontes,
jornalista,
radialista,
escritor

Passos, saltos & quedas,
livro de Rubens Pontes no linki abaixo:
https://rubenspontes.com.br/ – 

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