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quinta, 23 de novembro de 2017

Aqui Rubens Pontes / Meu poema de sábado – Chão de Estrelas, Orestes Barbosa

Foto na Ilha de Paquetá, onde morou com o filho Ecian Barbosa seus últimos anos.

O autor do poema escolhido para este sábado, embora membro de classe média, filho de um major da policia carioca,

levado por problemas familiares tornou-se no final do Século XIX um “menino de rua”, vendendo balas e doces,

sem destino e sem futuro.

Sem futuro foi, no entanto, por nós mal colocado. Perambulando pelas ruas do Rio de Janeiro, aprendeu a ler

sozinho, tendo como referência cabeçalho e manchetes de jornais expostos em bancas. Foram

os primeiros passos
para em curto espaço de tempo, tornar-se revisor na imprensa. Um ano depois transferiu-se para o “Jornal de Notícias”.

Ainda jovem e frequetadores do célebre Café Nice, onde encontrava com os amigos.


O menino de rua que aprendera a ler e a escrever sem professor, estreou como repórter no jornal cujo mentor politico era
Rui Barbosa.

Naquela época, ao cobrir uma agitação das alunas da Escola Normal, parece até uma predição de futuro, traçou o perfil de Cecília Meireles, então com 13 anos de idade.

Não parou mais. Escreveu crônicas, redigiu matérias para jornais e principalmente brilhou intensamente como compositor de dezenas de

de canções imortalizadas por alguns dos maiores interpretes do cancioneiro brasileiro.

Nosso poema deste sábado foi referendado com entusiasmo pela Radio Clube da Boa Música e pelo Portal Dom Oleari que vêem, como eu,

em Orestes Barbosa (1893-1966), um dos 10 maiores nomes da musica popular brasileira de todos os tempos.

“Chão de Estrelas”, selecionada, teve como parceiro Silvio Caldas, seu primeiro intérprete, gravada depois por estrelas e astros do rádio brasileiro.

Até a próxima semana. Rubens”.

Chão de Estrelas
  
Orestes Barbosa
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros, distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
                                            
rubens pontes, 
jornaista,
escritor,


Leia Passos, saltos & quedas,
o livro de Rubens Pontes no linki abaixo:

Três interpretações de “Chão de Estrelas”:
Primeira, com Maysa; a segunda, uma instigante leitura dos Mutantes; a terceira, Nelson Gonçalves com o pianista Artur Moreira Lima.                         

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