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sbado, 21 de setembro de 2019

Alvaro Nazareth / Movimento – Destruir-se e a todos. A grande obsessão de Gilmar




Até quinta-feira, 24/8/17, Gilmar Mendes plantou muitos ventos. Porém, de lá para cá, já colheu um bocado de tempestades. E continuará colhendo daqui para frente.

Até porque, enquanto ainda plantava ventos, pesadas tempestades lhe desabavam sobre a cabeça sem que ele, embriagado pelas luzes da ribalta, percebesse.

Depois de se proclamar o cachorro que abana o rabo – no original é o cachorro que balança o rabo – esclarecendo ao distinto público seu entender truculento e de mau gosto do significado da frase manda quem pode, obedece quem tem juízo, face a uma série de concessões de liberdade a investigados por crimes, todos de alguma forma ligados a ele, iniciou uma série de reconsiderações.


Primeiramente, engoliu com tudo que veio junto – vírgulas, ífens, travessões, pontos e vírgulas, exclamações, interrogações, muitas afirmações e até o ponto final – um texto indignadíssimo atribuído a Ricardo Boechat, diretor de Jornalismo da Band, publicado a partir de 18/8 na Internet. 

Registre-se que não houve confirmação da autoria, tampouco negação, e que o estilo pessoal, porém, parece inconfundível.

Não consta que o ministro tenha sequer comentado e muito menos contestado o referido texto, que já sai cantando pneu para cima dele:

– “Temos um ministro do STF que não teme ser defensor explícito do crime organizado. Gilmar Mendes nem deveria ser impedido, deveria ser preso.”.

– “Derrubar Gilmar Mendes é atravessar uma das últimas muralhas de proteção do sistema corrupto que moveu a política brasileira nos últimos, pelo menos, 30 anos.”.

E por aí foi (leia abaixo a íntegra do texto do Boechat). É arrasador, mas, Gilmar fez que não viu, nem leu. Ficou calado, parado, como água de lagoa.

Muito ao contrário de sua reação fulminante em maio de 2016, quando a atriz e apresentadora Mônica Iozi, que postou um texto no Instagram, criticando o habeas corpus concedido pelo ministro ao ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por estuprar 58 pacientes.

Gilmar processou Mônica de imediato e mostrou como é que o cachorro faz o rabo balançar. Em 21/9, quatro meses depois, a sentença estava dada pelo juiz Giordano Rezende Costa e Mônica teve que pagar R$ 30 mil de reparação por danos morais a quem cometeu a imoralidade de libertar um condenado a 181 anos de prisão por crime hediondo.

Na contra-mão da filosofia gilmarlesca, o juiz federal Marcelo Bretas, titular da Lava Jato no Rio de Janeiro mandou prender nove investigados na Operação Ponto Final, inclusive Jacob Barata Filho, suposto chefão do esquema e pai da afilhada de casamento do casal Guiomar-Gilmar Mendes. Todos os presos foram soltos pelo ministro.

Um deles, entretanto, Rogério Onofre, retornou para a cadeia no sábado, 26/08, por conta de gravação autorizada, na qual ameaça explicitamente a integridade física de outros envolvidos nas trapalhadas no sistema de transporte coletivo no RJ. Gilmar botou o galho dentro, afinou e o Rogério ficou preso.

Antes disso, porém, Mendes já afinara. O suposto texto do Boechat circula pelo menos a partir de 18/08 e o intempestivo Gilmar mantem-se quieto. Talvez, por saber, sendo ele um entendedor de cachorros, que cachorro que corre latindo atrás de caminhão passa vergonha: o caminhão pára, ele pára também, pára de latir e sai de fininho, resmungando, tipo, o que eu vou fazer com essa porra de caminhão.

Convenhamos, Ricardo Boechat é muito mais que um caminhão; mais que uma jamanta; é mais que um trem da Vale. E o Gilmar sabe que aí o cachorro não vai conseguir abanar um rabo. Será muito difícil, para não dizer impossível, nessa situação, encontrar um rabo abanável.

Se Boechat assume ou não a autoria do texto torna-se desinteressante. Melhor deixar pra lá. Afinal, só saiu na Internet.

Principalmente agora que, no STF, a coisa também ficou feia. Os ministros Barroso, Fux e Marco Aurélio já mostraram que seus espíritos de corpos não contemplam Gilmar Mendes e, delicadamente, desceram-lhe a ripa, bem assim ao estilo espíritos de porcos – para o Gilmar, claro.

Ao mesmo tempo, a presidente da Casa, Carmem Lúcia (foto), deu andamento aos pedidos de medidas punitivas contra o arrogante ministro. Algo inédito na história do Supremo, que jamais julgou um dos seus.

Isso, concomitante à pesquisa do Instituto Ipsos divulgar que o Judiciário, na percepção da população, anda fazendo muito mais gols contra do que a favor. A deterioração da imagem dos ministros do STF revela-se má no geral, com destaque para Gilmar Mendes. Por aparecer com 68% de desaprovação, em empate técnico com Lula. Uma vergonha, como diria Boris Casoy.

Em meio a toda essa efervescência, Gilmar se mandou para a Bulgária para ensinar aos búlgaros como usar a tecnologia em eleições. Ou, então, para preparar-se para responder os questionamentos que aqui o aguardam de braços abertos com prazo de cinco dias para serem respondidos.

Se ele vai para o pleno ou não vai – perguntava Chacrinha à platéia –, só se saberá lá para meados de setembro, depois do retorno do ministro, marcado para 7/9.

O que mais instiga agora é a perspectiva de estar o País no limiar de uma nova era. Que, se confirmada, elevará Carmem Lúcia à condição de santa ainda em vida, tamanha a magnitude do milagre realizado.

Amem.

TEXTO ATRIBUÍDO AO JORNALISTA RICARDO BOECHAT.

Temos um Ministro do STF que não teme ser defensor explícito do crime organizado.

Gilmar Mendes nem deveria ser impedido, deveria ser preso. Os laços de Gilmar e sua mulher com Jacob Barata são de amizade, comerciais e profissionais. O cunhado do Gilmar é sócio de Jacob Barata. Jacob tinha o contato direto da mulher de Gilmar em seus contatos.

Esse senhor Barata, pelos crimes revelados por vários delatores, vem roubando diretamente da população mais pobre do RJ, comprando toda a cúpula da política fluminense e a fetranspor. O Sr. Barata roubou 10, 20 centavos 4, 6 vezes por dia da população mais pobre do RJ, por anos a fio.

A suspeição da Gilmar Mendes teria o efeito de mostrar que ele nada tem a ver com esses crimes, que a sociedade do cunhado e que a bênção no casamento, foram coincidências.

Mas como ele não se declarou suspeito, mesmo quando o “rabo abanou o cachorro” e com todas as manifestações do MP, demonstrando cabalmente que os elos são pessoais, comerciais e profissionais, a única opção a crer é que Gilmar tem muito a esconder tanto nessa relação como nas outras em que se posicionou de forma imoral.

Jacob Barata é um bandido violento. Provavelmente está roubando dos cariocas há 30 anos. É um milagre da Lava-Jato e adjacências que estejamos trazendo esse esquema à vista, à tona.

O judiciário e o MP precisam tratar Jacob Barata de forma especial, com o peso expressivo da lei, pois ele vai entregar Gilmar Mendes.

As últimas atuações do ministro são claras evidências de obstrução intencional da justiça, mandando às favas qualquer resquício de moralidade e racionalidade. Um acinte, um deboche.

Está muito claro que Gilmar é um infiltrado do status quo para explodir os esforços anti-corrupção e redirecionar os entendimentos do STF para a frouxidão ética e moral, apenas com seus “afilhados e amigos”.

Derrubar Gilmar Mendes é atravessar uma das últimas muralhas de proteção do sistema corrupto que moveu a política brasileira nos últimos, pelo menos, 30 anos.

Os brasileiros podem até ser impotentes para derrubá-lo, mas a cada atuação do ministro, mais gente desacredita no país e FAZ QUESTÃO de não apoiar qualquer movimento de recuperação econômica.

Gilmar Mendes é a certeza da impunidade, portanto é a incerteza econômica. Gilmar Mendes é uma ode à concorrência desleal, portanto é um inimigo da governança e da ética nos negócios. Gilmar Mendes é o Alien parasita no organismo brasileiro.

Gilmar Mendes, mais do que Lula e Aécio (que são mortos vivos fedendo no noticiário), é a próxima fase de todas as lava-jatos do passado, e a primeira de todas as lava-jatos do futuro.

Ou é ele, ou é a nação. Jacob Barata não deve entregar Cabral, que é outro cadáver político, esse pelo menos não está fedendo em nossas salas. Tem que entregar Gilmar.

Acreditem. Gilmar convence os brasileiros a não lutar para tirar o Brasil dessa crise. Convence os brasileiros com mais capacidade, mais recursos e maior grau de empreendedorismo a cogitar SERIAMENTE sair do país. Gilmar Mendes é nosso ministro bolivariano.

Amigos, entendam a importância de combatê-lo. Não se enganem, é um elemento fundamental para a manutenção do status quo. Está entre nós e a esperança.

Assinem tudo, reverberem tudo, tudo o que for contra Gilmar. Esse cara quase torna a sonegação de impostos um imperativo ético. Ninguém merece pagar o salário desse imperador da imoralidade judiciária.



Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.


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