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quinta, 23 de novembro de 2017

Rodrigo Mello Rego – As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica / “Cantáridas e outros poemas fesceninos”, Guilherme Santos Neves







O professor, poeta, folclorista Guilerme Santos Neves com alunas nos anos 1950.


Senhor Editor Chefão:

Animado pela receptividade aos meus apontamentos sobre erotismo na literatura brasileira, com especial destaque na poesia, sou levado a admitir uma terceira vertente a se somar à poesia erótica e à poesia pornográfica: os poemas fesceninos que tiveram, entre seus cultores, alguns nomes consagrados pela crítica brasileira.

Aqui mesmo, no Espírito Santo de José de Anchieta e do Convento da Penha, intelectuais acima de qualquer suspeita não tiveram pudor em assinar poemas que certamente chocaram muitos dos seus leitores.

Guilherme dos Santos Neves foi um deles.

Sobrenome ilustre registrado dos anais da História política do Espírito Santo,
Guilherme dos Santos Neves superou o provincialismo do seu nascimento em Porto Final, vilarejo no Distrito de Mascarenhas, em Baixo Guandu, para se tornar no tempo advogado, professor de português e literatura.

Foi um dos onze membros do Conselho Nacional do Folclore, jornalista e radialista com presença nos jornais A Tribuna”, A Gazeta e na Rádio Espírito Santo (foto acima, à direita).

Ganhou destaque entre os intelectuais capixabas, participando de alguns dos mais importantes acontecimentos na área da inteligência criativa do Estado.

Guilherme dos Santos Neves (na foto com uma rendeira), se vivo ainda fosse teria contado tempo no dia 14 deste mês (1906/1989).

Ele foi o autor, com Paulo Velloso e Jayme dos Santos Neves, de “Cantáridas”, um conjunto de poemas fesceninos capaz de causar pálido rubor em alguns leitores do século passado.

O que diria o capixaba assustado, tendo lido antes para a família reunida em torno da mesa de broa de fubá e leite ordenhado no curral ali ao lado, “Cantigas de Roda”, do mesmo autor?

Com um pouco – qualquer pouco já é muito – de “Cantáridas e outros poemas fesceninos”, fecho a coluna de hoje.



O julgamento será do possível leitor.
Atenciosamente, Rodrigo de Mello Rego”.

Homenagem

Leitor amigo, batuta!
nossa homenagem viril,
a ti, meu filho da puta
e à puta que te pariu!”

XI
Meu irmão

Caralho aceso a farejar quiricas
Co’uma tesão de um milhão de velas,
Lamenta, apenas, não ter muitas picas,
Pra foder, de uma vez, a cem donzelas.

Outrora foi pudico (para os trouxas), 
enquanto pensamos que dormisse,
Das criadas vivia a pôr nas coxas,
Por trás daquela falsa pudicície.

Nos cinemas, vivia a amolengar.

Coxas e seios de quem estivesse,
Por bruto peso, junto ao seu lugar.

É meu irmão o fancho Gabiru!
E posso garantir: se o pau lho desse,
Vivia a fornicar o próprio cu…

À direita, um original do livro “Cantáridas e outros poemas fesceninos”.

XLII

Tinu Cu’mercial ***

Sagaz advogado sem dinheiro,
Que não levava a sério a profissão,
Pensou, e resolveu-se a ser bundeiro;
E pôs para render o seu bujão.

Fez fortuna no novo metiê
Embora fosse grossa a porcaria,
Pois s’engasgasse às vezes num buchê
De pratinhas de dois o bolso enchia.

E como ele era um moço inteligente
Pediu ao Lapisu, inda outro dia,
Que lhe fizesse um cu sobressalente.

E, de fato, era a única solução,
Pois lhe era tão grande a freguesia
Que um só cu não dava mais vazão…

LXXV
Comer um cu

“Ora (direis) comer um cu! Por certo
Perdeste o gosto!” – E eu vos direi que não,
Pois pra comê-lo, muita vez desperto
E saco a piça, roxo de tesão…

LXXXVI

Cantata

Pedi-lhe o cu. Negou-mo! Fez beicinho
Querendo se passar por cabaçudo.
Pedi para meter só um pouquinho
E o fresco Lapisu continuou mudo.

Insisti! – O sacana fez cu doce,
Não quis, ao menos, alisar-me o pau.
Quis beijar-lhe a pachacha. Ele esquivou-se,
Jurando não ser desses… ser vestal.

Perdendo o tino, amolenguei-lhe a bunda.
Esfreguei-lhe o caralho na regueira.
Soprei-lhe, às oiças, u’a proposta imunda!

E desabotoando a barriguilha
Encosteio-o a um canto da banheira
E fodi-lhe, entre os ovos e a virilha…



Rodrigo Mello Rego
é jornalista com
Mestrado em Estudos Literários
Pesquisador de literatura erótica

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