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quinta, 23 de novembro de 2017

Rodrigo Mello Rego – As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica / Algumas das “Cem trovas sem-vergonha”, de José Rocha Ramos

Nota da redação: nosso guia, mestre, pai e protetor, o Dotô Gugou, não achou nem um retratim do trovador. Nem no saiti do Clube dos Trovadores do ES.

Daí, figurar na foto de capa a marca d’As Certinhas do Oleari”, “A Bailarina”, escolhida há uns tantos anos por Walder Rocha.

– Senhor editor-chefão

Permito-me a abordagem de um aspecto da nossa história que formou liames entre a expressão da cultura capixaba e da mineira e que se refletem em uma e em outra.

Há muita identidade e, paradoxalmente, muita diferença, na formação dos Estados de Minas e do Espírito Santo.

Do outro lado da fronteira, a conquista do chão foi quase predatória, com as bandeiras paulistas buscando o ouro farto dos regatos e do solo sem preocupação de nos seus rincões se fixar. Aqui, ao revés, a conquista da terra foi áspera, mas os imigrantes europeus buscavam uma nova pátria e até o rigor religioso de alemães e italianos contribuiu para sua fixação nas terras virgens e nelas plantar e nelas fazer expandir um novo núcleo de civilização.

O episódio da“invasão” no Sul do Estado e os sangrentos episódios ocorridos na região do contestado foram superados para que mineiros e capixabas se irmanassem e convivessem em harmonia.

Os desdobramentos desse raciocínio se fizeram também sentir no campo intelectual. A herança europeia se faz presente com certo misticismo na produção literária dos nossos escritores como, nos mineiros, há quase sempre uma busca de liberdade, como se ainda hoje os grilhões que marcaram a epopeia da Inconfidência precisassem ser rompidos.

Pode até surpreender, por isso, que haja tanta identidade em alguns autores de lá e de cá, principalmente na abordagem erótica da poesia, que é o tema desta coluna.

De Drummond a Santos Neves dezenas de poetas nunca escamotearam sua assinatura em poemas que provocam admiração e repulsa em que os lê como expressão literária ou com pudor religioso.

Um mineiro-capixaba, nascido na distante Jequitinhonha e aqui radicado desde 1978, é um autor principalmente de trovas que se notabilizou pelo erotismo nelas contido e que responde a essa
visão. 

José Rocha Ramos, poeta, prosador, integrou-se ao Clube dos Trovadores Capixabas e se destacou nesse difícil gênero da poesia publicando livros e participando ativamente dos movimentos dos poetas da terra.

De sua obra “Cem trovas sem-vergonha”, selecionamos algumas para nossa coluna no Portal Don Oleari.

Respeitosamente,
Rodrigo de Mello Rego”.

I

É um mulherão de dar gosto
Obra divina e do diabo:
O que Deus lhe pôs no rosto
Pôs-lhe o demônio no rabo.

II

Do adorno até a comida
Do uísque até o sorvete
Tudo sobe nesta vida
Só não sobe meu cacete.

III

Se não quer ser mãe solteira
Vá tocando siririca
E deixe seu cú à inteira
Disposição de uma pica.

IV

Brincamos de passarinho
Desde os tempos de fedelhos
E hoje boto meus ovinhos
No ninho dos seus pentelhos.

V

Em nos causar sensação
Toda banhista é fecunda
Ai! meu Deus, haja tesão
Para cobrir tanta bunda.




Rodrigo Mello Rego,
jornalista
Mestrado em Estudos Literários
pesquisador de literatura erótica

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