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segunda, 28 de setembro de 2020

Mostra de Artes e Decoração do Empório das Artes vai até domingo, 8

A mostra conta com mais de mil itens em cinco diferentes ambientes entre salas de estar e jantar, quarto, hall de entrada e jardim, todos assinados por renomados profissionais capixabas.

O encerramento da exposição no Espaço Cultural do Shopping Vitória será na segunda (9), às 19 horas, com um bate-papo sobre os bastidores da arte do antiquário envolvendo profissionais do ramo e amantes da arte.

Para criar os espaços, foram convidados nove arquitetos e designers de interiores, que usaram 100% do acervo histórico do Empório das Artes: Joilma Ruberth e Alda Boechat, Fernanda Julião, Najla El Aouar, Aparecida Borges, Emília Lopes, Mariana Teixeira e Patricia Sepulcri, e Lucienne Barreto.

Mais de 80 móveis de madeira nobre dos séculos XVIII a XX são utilizados, entre eles cômodas, sofás, cristaleiras, poltronas, aparadores, chapeleiras, mesas de jantar, oratórios, book case, guarda-roupas, escrivaninhas e porta-bibelôs de diversos estilos, como chipandelle, art nouveau, transição, renascence e art decor.

–  “O leilão é como se fosse a nossa marca registrada, mas este ano decidimos preparar algo especial para marcar a data e vamos realizar a primeira mostra do antiquário. Para isto, convidamos arquitetos de peso para assinar os ambientes, onde são usados peças-ícones do nosso acervo”, destacou o merchand Lélio Cimini.

Entre as relíquias do antiquário, na mostra estão duas esculturas do mineiro Alfredo Ceschiatti, destacando a Ceará, em bronze, datada do século XIX, com aproximadamente 1,60cm, e Justiça, feita em granito; Maternidade, de Carybe, com cerca de 50cm de altura; a Mesa Baez, um móvel exclusivo de Sérgio Rodrigues; quadros de Hilal Sami Hilal, da série “Limites Oceano Atlântico, de 1997; o quadro Alados do Abaeté (1984), do pintor, desenhista e ilustrador baiano, Calasans Neto; o quadro em óleo sobre tela “Cristo”, de Décio Villares, artista que participou da concepção da bandeira nacional; cristais; imagens sacras; além de obras de artistas capixabas, como Guerreiro, de Penitência, e Pôr do sol, de Levino Fanzeres.

A designer de interiores Joilma Ruberth e a arquiteta Alda Boechat, da Taba Design, são responsáveis pelo “Espaço do Colecionador”, composto por quatro ambientes num total de 102m², sendo eles hall de entrada, sala de estar, sala de jantar e escritório.

– “O espaço foi trabalhado pensando em um colecionador de artes que conta com um acervo de artistas renomados, como Di Cavalcanti, Carybé, Armando Leite, Levino Fanzeres, Homero Massena, Carlos Scliar, Manoel Santiago, Dionísio Del Santos, Décio Villares – que executou o desenho do disco azul da nossa bandeira nacional – e Heitor de Pinho, dos séculos XIX e XX, entre outros grandes nomes”, adiantou a designer. 

Além das telas, o acervo conta com uma placa em bronze de uma fundição indígena (1944), representando a Santa Ceia, e ainda com a escultura “Contorcionista”, de Alfredo Ceschiatti, dos anos 50. Para compor os espaços, foram escolhidos móveis de vários estilos, dando um ar sofisticado aos ambientes, com destaque para as cristaleiras de colunas dos estilos Art Decor e Bierdemeier, sofá estilo Luis XV e mesa de jantar Neoclássico Inglês, sobre um tapete persa com mais de 100 anos e em excelente estado de conservação, e iluminada por um lustre de cristal original, da década de 30.

Para compor o ambiente, uma chapeleira estilo colonial e uma escrivaninha dos anos 40, que abriga livros raros de Direito, e as esculturas em bronze que representam a justiça, sendo uma no estilo clássico e outra no estilo moderno, réplica em miniatura de “A Justiça”, uma escultura em um bloco monolítico de granito de Petrópolis, que mede 3,3 metros de altura, localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. 
Foi feita em 1961 pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti, encomendada pelo arquiteto Oscar Niemayer.

A arquiteta Fernanda Julião contou com a colaboração de Bruno Carvalho para a “Galeria-conceito Naif”, num espaço de 56m². 

O ambiente conta com mobiliário chippandelle e telas de 20 artistas, entre eles o carioca Heitor dos Prazeres e Fernando Vieira da Silva, mentores da arte NAIF no Brasil, os capixabas Ângela Gomes e Alda Lofêgo, Holmes Neves, Vaqueiro, Marcos José, Antônio Eustáquio, J Roybal. 

Também estão em destaque no ambiente duas cadeiras de Mooni Ezra, um importante designer da década de 80.

– “Como as artes naif são muito coloridas, lúdicas e com movimento, buscamos neutralizar o ambiente para que as obras se destaquem. Portanto, o piso é escuro e as paredes forradas com tecido”, contou Fernanda.

A arquiteta Najla El Aouar é a responsável por ambientar a “Casa do Barão”, formada por cinco espaços integrados em 85m²: sala de estar, jantar, bar, office e oratório. 
Na sala, estará uma linda composição com sofá e poltronas feitas em madeira de lei e mesa de jantar que pertenceu a um barão. 
No oratório, ambiente de plena oração, se destacam peças religiosas, como a pintura acrílica e folha de ouro do ano 1995 do capixaba Attílio Colnago, a santa bordada em tapete e a estátua de São Francisco de Assis. 
O bar é um cantinho descontraído, com obras mais alegres, como os quadros de danças de Heitor dos Prazeres, um dos mentores da arte Naif. Neste mesmo espaço, tem uma antiga catraca que funciona como base de mesa e a cachaça mineira Havana, que vale mais de mil reais. 
O office contará com uma escrivaninha que está rodeada de poderosas esculturas.

O Grupo Arus, formado pelas arquitetas por Aparecida Borges, Emília Lopes, Mariana Teixeira e Patricia Sepulcri, assina a criação do “Espaço Solar”, uma sala com inspiração na brasilidade. 

Em aproximadamente 100 m², as arquitetas distribuíram hall de entrada, sala de jantar, sala de estar e um espaço verde onde será possível desfrutar a escultura Verão, de Ceschiatti. 

– “O azul é a cor tema e foi eleito para trazer luminosidade e dialogar com o mobiliário selecionado, uma forte referência do colonial brasileiro”, destacou Aparecida. 

No hall, que dá as boas-vindas ao visitante, se destacará uma mesa do século XVIII com a imagem sacra de “Nossa Senhora das Dores”, do mesmo século. 
O ambiente de jantar traz o azul com muita força, realçando o Louceiro de linhas singelas, misturando o contemporâneo e o antigo. 
Na sala de estar, um antigo sofá de jacarandá que foi transformado em um “preguiceiro”, para relaxar. 

O ambiente das arquitetas propõe a valorização da identidade e das raízes familiares através da arquitetura de interiores. 

– “Criamos um espaço para ser usufruído com prazer, onde conforto, arte e memória afetiva convivem e conversam entre si”, pontuou. 

A escolha das peças, adornos, obras de arte ou mobiliário com assinatura brasileira estão todo o tempo permeados pela religiosidade da cultura brasileira, sendo possível encontrar em todo o espaço coleções de santos em diversas técnicas e tendo como ponto culminante uma tela do renomado artista Romanelli, intitulada Procissão.


A designer de interior e de produto, Lucienne Barreto, montou o “Loft do Galerista”, contemplando sala de estar, sala de jantar e o quarto do casal, em ambiente integrado. 
O espaço, de mais de 100 m², tem influências dos estilos art decor, art nouveau e clássico. 

A sala de estar, por exemplo, transita entre o retrô e o moderno, enquanto o quarto do casal terá mais de art decor, com peças icônicas como a penteadeira. 

– “A sala recebe uma peça chipandelle com pata de leão em cobre, que é atemporal, e um bar de Sérgio Rodrigues bem moderno, com detalhes em couro, que está em evidência ao fundo do ambiente, que também terá um sofá mais clássico, uma escultura moderno em tons de amarelo, que ficará bem próxima à uma das telas mais caras da galeria”, adiantou a designer. 

O ambiente também conta com uma imponente escultura de Ceschiatti, chamada “Pompeana”, e ainda com uma mesa naif de design da própria Luciene, feita de vidro, com detalhes em espelho e cubos pintados pela artista Ângela Gomes, que retratou a procissão marítima de São Pedro, o Convento da Penha e outras importantes igrejas do Espírito Santo.

Em todos os ambientes são utilizados tapetes persas, tais como shiraz, meshed, tabriz e nain.

História do Empório das Artes
A história da galeria teve início em 2002, quando o casal Lélio e Fernanda Cimini foi a um evento no Praia Shopping, na Praia da Canto. Como Lélio sempre foi colecionador, a mãe de Fernanda sugeriu aproveitar seu próprio acervo e abrir seu antiquário. Em setembro do mesmo ano eles abriam a loja no Praia Shopping e, em dezembro, já realizavam o primeiro leilão do Empório das Artes.

Nestes 15 anos, já foram mais de 100 leilões, incluindo os virtuais, que atraem interessados de várias partes do Brasil e de outros países. Neste período, cerca de 15 mil peças foram leiloadas.

Atualmente, o acervo do empório das Artes possui mais de duas mil peças, entre obras de arte, móveis de época, pratarias, objetivos decorativos e colecionáveis.

SERVIÇO
1ª Mostra de Artes e Decoração do Empório das Artes
Período da Mostra: Até 8 de outubro
Horários: das 10h30m às 21h30m (segunda a sábado) e das 14h30m às 19h30m (domingo).
Local: Espaço Cultural do Shopping Vitória
Entrada gratuita

Com Letícia Passos

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