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quinta, 19 de julho de 2018

Simone Lacerda, escritora cachoeirense, lança livro “Arame Farpado” neste sábado

“Nos períodos de deserto, meus textos ganham traços de aridez ou de renascimento; nos tempos de paz ou de alegria, são mais leves e trazem flores”.

Por Dayane Hemerly.
(Foto: Leverson de Freitas)

A escritora cachoeirense Simone Lacerda lança o livro “Arame Farpado” neste sábado (28) a partir das 10h na Casa dos Braga, localizada na Rua 25 de Março.

A publicação reúne contos e crônicas escritos ao longo de muitos anos e traz à tona temas contemporâneos. A obra poderá ser adquirida por R$ 25,00.

Simone menciona que a escrita se converte em um motivo de vida, de trazer para perto o que dá esperança.

– “Arame farpado dialoga com o contemporâneo, com este homem cada vez mais individualista e fragmentado, com o sujeito que precisa reconstruir aspectos que o cotidiano vem dissolvendo, como a esperança, o amor, a crença, a coragem, a solidariedade, a justiça”.

Ainda segundo a escritora, suas crônicas tratam do empoderamento humano:

– “Elas falam da força que a escrita nos dá, da esperança na vida e da emoção, tão necessárias para os dias tão soturnos. Os textos convertem o que acredito, minhas influências e minha maneira de ver e reorganizar a existência, construindo meu legado, já que a nossa vida é tão frágil”. Seu livro, conforme ela mesma diz, fomenta no leitor uma reflexão sobre a vida, o homem, sua sociedade e história.

Publicado pela editora Cachoeiro Cult, em parceria com a Secult, o livro nasceu da reunião dos textos publicados por Simone também no jornal ES de Fato e de textos inéditos.

– “Agradeço as portas abertas deste jornal e da Cachoeiro Cult, porque foram fundamentais para que hoje eu pudesse mostrar minha escrita, minha visão de mundo por meio de meu estilo literário”.

Ela conta que desde menina tem o sonho de escrever um livro e o fomentou quando começou a escrever para veículos de comunicação.

– “Produzir um livro não é nada fácil e barato. Graças aos editais públicos, como o da Secult, do Estado do Espírito Santo, e o da Lei Rubem Braga, fica menos difícil o caminho dos escritores até a publicação, principalmente para os que estão começando, como eu”, comenta.

Simone participou do edital da Secult em 2016 e foi selecionada para a publicação no gênero crônicas.

– “Isso me encheu de comoção, porque sei o quanto lutamos para escreve e alcançar um público mais amplo”, fala.

A autora revela que seus textos propagam reflexões tão reais de experiências vividas, que os leitores irão se identificar.

Início de tudo

Simone Lacerda expressa que escrever, para ela, sempre foi uma forma de se colocar no mundo, de desenhar o que permanece em seu entorno.

Ela aprendeu a ler quando tinha, aproximadamente, três anos, mesmo antes de ir à escola. “Lembro que desde então costumava rascunhar algumas coisas, inclusive tenho um livro infantil criado na infância, que pretendo mais tarde organizar”, divulga.

Em 2011 ela começou a publicar seus textos em um blog que criou “Cheiros, ensaios, e poesia”, e percebeu que teve um bom retorno. Aos poucos, a escritora começou a compartilhar seus textos em outras redes sociais.

– “Sofri um hiato por dois anos, sem escrever praticamente nada, mas, em 2014, comecei a escrever para o Fato e, um pouco mais tarde, para a revista Cachoeiro Cult, além de alguns textos publicados em A Gazeta. Percebi que poderia ser escritora e fazer a diferença com a minha escrita”, declara.

Simone escreve poemas, porém viu na prosa uma aproximação maior com o público. “Comecei escrever poemas, mas fui escorregando para a prosa, o que não desconsidera a poesia, já que ela é a essência da vida humana, é a beleza e a emoção vinculada à palavra”.

O livro de Simone Lacerda reúne textos publicados em jornais e também textos inéditos
Inspiração

Para todo escritor, é preciso inspiração para escrever. Vinicius de Morais dizia que era preciso estar apaixonado para compor suas poesias e canções. Para Simone Lacerda, é preciso ter um estranhamento, seja numa situação agradável ou que a provoque o contrário.

– “Muitos pensam que o escritor precisa sofrer para produzir, embora muitos produzam assim. Eu, particularmente, produzo em situações distintas, e a escrita se converte nesta emoção”, conta a autora que ainda diz que, nos períodos de deserto, seus textos ganham traços de aridez ou de renascimento; nos tempos de paz ou de alegria, são mais leves e trazem flores.

Título

Sobre o título da obra, Simone conta que “Arame Farpado” é um dos textos que constitui o livro e, aborda, justamente, a falta de enquadramento nos sistemas sociais e na vida.

– “Também, inflama a própria questão da vivência, dos dilemas que enfrentamos diariamente, dos “arames farpados” nos quais nos cortamos, sangramos e a vida exige que cicatrizemos toda danação”.

Acerca do texto, ela comenta que tentar se adaptar a sistemas sociais é um trabalho árduo que todos os indivíduos fazem, na tentativa de ser aceito, de continuar seguindo suas responsabilidades, de descascar as situações-problemas e fazer com que a vida seja suportável.

– “É um texto prosaico que, para mim, se consolida como um descortinar de toda minha busca literária, do meu olhar para a realidade, na sempre tentativa de adaptação, mesmo me percebendo às margens, na contramão, pois é isto que o escritor faz”, complementa.

Para ela, o título ressignifica os cortes de sua escrita no livro, para que o leitor se aproprie de um discurso mais denso e cada vez menos alienado.

– “Gosto de andar na contramão, entre lacunas e arames farpados, entre o que não considero e o que considero improvável”, finaliza com um trecho do livro.

Fonte: http://www.jornalfato.com.br/conteudo/cultura/28120/escritora-lanca-livro-arame-farpado

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