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quinta, 23 de novembro de 2017

Maura Fraga: aniversário de Milton Nascimento, lembranças da ditadura e da Polícia Federal

Aniversário de Milton Nascimento lembra o tempo em que, por qualquer coisa, éramos recolhidos à Polícia Federal. Eu, quase menina, andava para baixo e para cima com meus discos.

E cantava, segunda vocação depois de jornalista. Era boa de fato na interpretação de Beco do Mota, o próprio Brasil na ditadura.

‘Sinistro’, amigo inseparável, estudante de Direito, empenhado na luta urbana, me pedia que cantasse. Tentava ajudar, mas era desafinado.

Juntos, encaramos passeatas, noites de panfletagem, muitas detenções e até um IPM. ‘Sinistro’ foi condenado a um ano e meses numa base militar do Rio de Janeiro.

Os livres, sem medo de assombração, continuaram na vida de enfrentamento.

Foi quando armamos um show muito louco na Escola Técnica Federal, com os artistas de vanguarda de Vitória. O auditório lotou para o Ensaio Geral.

Imitei Chaplin, cantei Irene e, na hora de apresentar o Beco do Mota, abri com a dedicatória “ao amigo ‘Sinistro’, que não está aqui, mas…”

A platéia delirou e os homens da PF presentes também. Os diretores, Milson Henriques e Rubinho Gomes, levados à DPF, suaram para explicar quem era ‘Sinistro’.

O apelido sobrou para um colega cineasta. O espetáculo não foi reprisado.

Ewerton Montenegro Guimarães, depois advogado defensor de Direitos Humanos, nosso ‘Sinistro’, só soube quando saiu da base militar. Estava incomunicável.

Os alunos que prestaram ENEM 2015 na escola Ewerton Montenegro Guimarães, situada em Viana, Região Metropolitana da Grande Vitória/ES, em 2015, obtiveram destacacda nota média de 465,1 pontos.

Maura Fraga é jornalista

Pitaco do Oleari

Maura Fraga não é só jornalista: é uma grande joralista. Ao ler o textim – “copigarfado” no maledeto feissibuqui – lembrei de um bom lance com o Ewerton Guimarães. Participei de um livro editado pela Prefeitura de Vitória, período de Paulo Hartung, chamado “Escritos de Vitória”. Escrevi textim com o título “Major Romão e Capitão Mazieiro”.

Cascateava nesse texto os tempos de censura direta na redação. Eu dirigia o jornal O Debate, da então oposição consentida, comandado pelo saudoso Carlito Lindenbergh Von Schilgen. Romão e Mazieiro passaram a dar expediente integral na redação. E todo o papo era comigo. Pra encurtar, contei que, na verdade, apesar da presença deles, do blablabla em cima de algumas matérias, contei que em momento algum eu ou alguém na redação d”ODebate” foi vítima de qualquer violência ou grosseria por parte de Romão e Mazieiro.

Mazieiro era um “intelecquitual”, de atitudes educadas, e Romão, apesar da fama que se seguiu anos seguintes niquiqui ele foi o poderoso chefão da então temida Polícia Federal, sempre se comportou educadamente.

Certo dia encontro o Ewerton e ele parou pra falar comigo. E me disse:

– Gostei muito do seu texto no “Escritos de Vitória”.

Agradeci, claro, mas ele completou:

– Gostei da sua sinceridade ao contar o episodio dos oficiais na redação. Eu também acho que a gente não precisa mentir ao narrar os acontecimentos que nos envolvem ou envolveram”.

Nunca esqueci. Publico o texto de Maura Fraga em memória de um gradne cara, o nosso saudoso }”Sinistro” (Oswaldo Oleari).

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