Menu

quinta, 20 de setembro de 2018

Martinho Lutero: A reforma que marcou o Cristianismo e mudou a história do mundo ocidental

 Texto do Reverendo Egon Kopereck enviado pelo jornalista Orlando Eller.

Reverendo Egon Kopereck*

 

Hoje, 31 de outubro, completam-se 500 anos desde que um monge agostiniano chamado Martinho Lutero mudou a história do mundo ocidental, ao afixar 95 teses à porta da Igreja do castelo, na cidade de Wittenberg, Alemanha.

 

Ali ele dava início ao movimento que ficou conhecido como Reforma Luterana, mais tarde denominada como Reforma Protestante, já que seus sucessores contemporâneos, poucos anos mais tarde, protestaram por liberdade religiosa.

A Reforma Luterana marcou profundamente a história do Cristianismo. Os ensinos da Reforma podem ser resumidos nos seguintes pilares, conhecidos na expressão latina como os “três solas”, ou seja:

– Sola Gratia: Somos salvos somente pela graça de Deus, conforme a Bíblia nos diz em Romanos 3.24 e Efésios 2.8 e 9;

Parte superior do formulário

– Parte inferior do formulário

– Sola Fide: Este presente vem a nós somente pela fé, conforme nos é dito na Bíblia Sagrada em Romanos 1.17, Romanos 3.28 e Gálatas 2.16;

– Sola Scriptura: Somente a Escritura é fonte de doutrina e verdade. Isso nos atestam os textos bíblicos de 2 Timóteo 3.16 e 1 Pedro 1.23-25.

Como herdeiros da Reforma, louvamos a Deus por ter preservado entre nós a sua palavra, registrada na Bíblia Sagrada, ao longo desses 500 anos.

Na verdade, o então monge e já PhD em Bíblia não reivindicava criar uma doutrina nova ou iniciar uma nova religião. Quando Lutero, em 31 de outubro de 1517, apresentou suas 95 teses ou afirmações teológicas, defendendo a “justificação pela fé” – ou Sola Fide – na verdade, estava tentando resgatar o que cria ser a verdade genuína afirmada com clareza nos livros da Bíblia.

Numa época em que as pessoas, orientadas e estimuladas pelo clero da Idade Média, tentavam comprar o perdão dos seus pecados e a salvação eterna mediante seus próprios méritos, seu dinheiro, suas boas obras, Lutero apontava para a Bíblia, o que ela dizia. O refrão de Lutero era “Jesus já fez tudo por nós”, o pro nobis tão característico de sua teologia.

No legado da Reforma Luterana para os dias de hoje, podemos destacar a valorização da palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, e, a partir dela, o amor a Deus e ao próximo.

O resgate dos valores éticos e morais, tão pisoteados em nossos dias, a valorização do casamento entre um homem e uma mulher, conforme expresso em Gênesis 2.24 e repetida por Jesus no Novo Testamento, em Mateus 19.5: “Deixa o homem pai e mãe e se una à sua mulher”.

Além disso, devemos destacar o cuidado e a educação dos filhos, a começar no lar, pelos pais. Para conseguir fazer isso, Lutero preparou um catecismo menor, destinado aos pais, sempre com a introdução: “Como o chefe da família deve ensinar os seus filhos”.

Nesse sentido, sobre a importância da educação dos filhos, Lutero dizia: “Se a raiz é de má qualidade, o tronco, os ramos e os frutos, certamente, também o serão. O filho amanhã será pai, juiz, professor, príncipe, rei (…). Se for mal-educado, tudo será corrompido”.

Numa época em que as moças e mulheres não eram valorizadas, ele queria ensino e escola para todos, rapazes e moças, com direitos iguais. Lutava para que o governo se ocupasse e preocupasse com uma boa educação, oferecendo condições aos professores e alunos para um bom ensino e aprendizado.

Certa vez, Lutero bradou:

– “Gasta-se mais com armas do que com educação”. Por isso, também, Lutero é considerado o mentor da educação pública na Alemanha.

No Brasil, tão logo chegaram os primeiros luteranos imigrados da Europa, as primeiras escolas foram fundadas. Muitas perduram até hoje.

Martinho Lutero também causou impacto na história ao propor uma clara distinção entre Igreja e Estado. Seu ensino era para que a Igreja formasse bons cidadãos e bons políticos, com princípios éticos e morais dignos, lutando pelo bem-estar do povo. No entanto, Igreja e Estado têm funções diferentes e são independentes.

O legado da Reforma Luterana ou Protestante, como queiram, perpassa os séculos e tem muito a ensinar e contribuir para os dias de hoje.

A chanceler alemã, Angela Merkel, filha de um pastor protestante, recentemente afirmou:

– “Os europeus deveriam ter a coragem de voltar à Igreja e à Bíblia”.

Creio ser este também o desafio e a necessidade do povo brasileiro. A partir da palavra de Deus, da sua mensagem, ouvida e praticada, mudam-se conceitos desvirtuados, resgatam-se valores e, com certeza, vive-se melhor, com mais justiça, honestidade, fidelidade, humildade, onde a moral e a ética prevalecem e, consequentemente, o amor, a paz e a esperança despontam.

 

 

Egon Kopereck

é Presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB)

Comentários