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domingo, 15 de dezembro de 2019

Aqui Colatina: Nilo Tardin – “Somos Todos Atingidos”, gritam cerca de mil pessoas em marcha convocada por diversas entidades em Colatina

 

 

 

Manifesto pede justiça para o Rio Doce

Eles espalharam lama pelos corpos, outros de preto dos pés a cabeça carregaram cruzes ao ocupar as ruas em protesto contra os dois anos de invasão da lama da Samarco durante o 3º Manifesto em Favor do Rio Doce em Colatina, noroeste capixaba.

Ao menos mil pessoas participaram da marcha convocada pela Diocese de Colatina, igrejas evangélicas e associações na manhã deste sábado, 4, para lembrar o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana na tarde 5 de novembro de 2015.

A ponte Florentino Avidos funcionou em meia pista na travessia dos manifestantes, que percorreram o centro da cidade e terminou no Cais da Beira Rio com a leitura do manifesto: “Somos Todos Atingidos”.

A falta de soluções para os problemas sócio-ambientais provocados pela lama tóxica virou tema das faixas e cartazes, além da desconfiança da qualidade água encanada que abastece Colatina.

O bispo da Diocese de Colatina, Don Joaquim Wladimir, garante que a Fundação Renova não tem resposta para os graves problemas da bacia apesar da estrutura gigante criada pelas empresas mineradoras.

– “A Renova atua em autodefesa sem providências adequadas aos problemas causados pela tragédia. Uma estrutura inoperante que precisa ser desburocratizada. É preciso tirar essa lama do rio, reflorestar nascentes, além do pagamento de análises independente da água”, disse o bispo.

Já o advogado Ubirajara Douglas Vianna, da comissão ambiental da Sub-Seção da OAB de Colatina, acredita que a Samarco está apenas ganhando tempo.

– “O que vimos foi o fechamento de um acordo vil com a sociedade de menor poder aquisitivo. Ninguém tem confiança na água fornecida na cidade”, disse o prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli, com a lentidão que a Renova age na região.

“A lama no Rio Doce é uma ferida que não foi cicatrizada, sobretudo com o sofrimento da população ribeirinha”, destacou o prefeito Serginho.

O médico Luiz Antônio Murad, presidente da Associação Colatinense de Defesa Ecológica (Acode), também pensa que a Samarco deixa a desejar na região. Sugere que preserve um córrego ou rio de cada região como exemplo. No entender do agrônomo Henrique Lobo será importante a região se preparar a fim de enfrentar a crise da água prevista para durar até 2030.

– “A previsão da baixa intensidade solar nas próximas décadas vai frear entre 10 a 20% o índice de chuva, além de termos 60 milhões de hectares de área degradada na bacia do Rio Doce”, vaticinou.

A cobrança de punição para os responsáveis pelas 19 pessoas mortas na tragédia foi feita pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Nilo Tardin é Editor do

Diágio digital www.seisdias.com.br

Fonte: http://seisdias.com.br/

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