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quinta, 23 de novembro de 2017

As Certinhas do Oleari + Poesia erótica: Rodrigo Mello Rego / Mamonas Assassinas: Vira, Vira…”Fui convidado para uma tal de suruba”

Ao Senhor editor do Portal Don OIeari

O erotismo na literatura brasileira, tema principal desta modesta coluna, fez incursões no cancioneiro patrício que alcançou surpreendentes picos de aceitação, nunca conquistados por escritores consagrados nos nossos anais.

Confesso que essa observação foi primeiramente levantada pelos programadores da Rádio Clube da Boa Música numa conversa informal quando de minha rápida passagem por Vitória.

Este veículo de informação e cultura assumia seu novo e revolucionário formato e tive o privilégio de ser convidado para continuar produzindo esta discutida coluna no novo Portal Dom Oleari. Pesquisei o tema e confirmei o fato comentado en passant pelo pessoal da Rádio CBM:

O romântico Roberto Carlos cantou:

“Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida”

E com Erasmo:

“No seu corpo é que eu me encontro
Depois do amor o descanso
E essa paz infinita
No seu corpo minhas mãos
Se deslizam e se firmam
Numa curva mais bonita.”

Rita Lee foi mais esplícita:

“Deus dá asas à minha cobra
minha força não é bruta
não sou freira e nem sou puta
nem toda feiticeira é corcunda
nem toda brasileira é bunda
meu peito não é silicone
sou mais macho que muito homem.”

Os Titãs cantaram “Clitóris”, mas estou convencido de que o maior fenômeno já registrado entre nós foi a meteórica e estonteante passagem dos Mamonas Assassinas no nosso cenário musical, com recorde brasileiro de vendas de seu álbum num só dia: 25 mil exemplares em apenas 12 horas nas lojas do ramo.

Nenhum escritor brasileiro, nem Machado de Assis com Guimarães Rosa, nenhum somou, com todos os seus livros, os 3 milhões de cópias das músicas do grupo em apenas sete meses de apresentações, de 1995 até a data fatídica do desastre aéreo que os vitimou, em 2 de março de 1996.

O que é instigante, e intrigante, foi o sucesso alcançado pelos Mamonas Assassinas idolatrados pelo público infantil. Testemunhei o fato em minha própria família, com sobrinhos na faixa de 11 anos que vibravam com o grupo mais do que com os desenhos de Tom e Jerry na televisão.

Cantavam com os “Mamonas” – e certamente não entendiam a letra – um dos seus grandes sucessos que, no entanto, faria muitos dos nossos irmãos d’além mar corar de pudor: “O Vira Vira”, título de um fado que Amália Rodrigues imortalizara em Portugal.

Rodrigo de Mello Rego”.

O VIRA VIRA

Mamonas Assassinas

Fui convidado para uma tal de suruba
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou “pra” casa
Toda arregaçada, não podia nem sentar

Quando vi aquilo fiquei assustado
Maria chorando começou a me explicar
Daí então eu fiquei aliviado
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar!

(Refrão)
Roda-roda vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda-roda vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém!

Oh, Manoel, olha cá como eu estou
Tu não imaginas como eu estou sofrendo
Uma “teta” minha um negão arrancou
E a outra que sobrou está doendo

Ôô Maria, vê se larga de frescura
Eu te levo no hospital pela manhã
Tu ficaste tão bonita “monoteta”
Mais vale um na mão do que dois no sutiã!

Roda-roda vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda-roda vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém!

Bate o pé (arrota) bate o pé

Ô ô Maria, essa suruba me excita

(arrebita, arrebita, arrebita!)

Manoel, tu na cabeça tem titica

Larga de putaria e vai cuidar da padaria!

Roda-roda vira, solta a roda e vem

Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém.

Roda-roda vira solta a roda e vem.

Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém.

Roda-roda vira solta e vem

Neste raio de suruba já me passaram a mão na bunda

E ainda não comi ninguém.

Vamos lá dançando, raios!

Todo mundo comigo;

Vem, vem! A Maria se deu mal

Vamos lá

Ai, como dói…

E ainda não comi ninguém.

Rodrigo Mello Rego

é jornalista

Mestrado em Estudos Literários,

Pesquisador de literatura erótica

 

Adilson Marques, que realizou esse vídeo aí, explica porque ele foi feito:

– “19 Anos depois decidi colocar este vídeo inédito – que fiz e guardei com muito carinho – dos meus amigos, Dinho, Samuel, Sérgio, Júlio e Bento. Gravado em 1995, foi produzido com a finalidade de mostrar para a produção do programa do Jô a banda desconhecida que ainda não tinha CD gravado. O vídeo resultou na participação dos Mamonas Assassinas pela primeira vez em um programa de TV em rede nacional (Criação e Realização: ADILSON MARQUES).

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