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tera, 12 de dezembro de 2017

O super xou A Tempo com Zé Moreira e seu bando: Edu, Elaine e Chiquinho Chagas / Uma sugestão ao Gutman Mendonça

Diagonal, coluna do Oleari

 

No Pitaco do Oleari, lá embaixo, uma importante sugestão ao diretorzão

 

do SESC do Espírito Santo e manda chuva do Centro Cultural SESC Glória,

 

jornalista Gutman Mendonça. 

 

Quase não fui. Em cima da hora, Lena Mara insistiu:

– Vamu ou não vamu ao xou do Zé Moreira.

Degustei rapidim e rasterim uma taça de espumante quisprimentava e disse:

– Chama o maledeto Uber…

Fomos. Ainda bem que fomos. Teria me arrependido por não ser testemunhado um dos xous mais redondos dos meus últimos 800 anos.

Zé Moreira é um gênio da raça. Acompanho-o desde aquela gravação de “Brilho da Lama”, cantada  pela Marcela Lobo, com Zé dando um xou de guitarra. Não o conhecia ainda. Quem me falou dele foi o filho Adolfo Miranda Oleare:

– pai, Zé Moreira é um grande guitarrista e compositor.

Primeira vez que o vi foi na ante-sala da então secretária de Cultura do Luiz Paulo Velloso Lucas, a Cláudia Cabral (irmã desse bandido aí, Sergio Cabral, preso depois de phoder o estado do Rio de Janeiro, ele e sua grandiosa e poderosa quadrilha).

Depois, não perdi o Zé Moreira mais de vista. Seu lindo primeiro disco – “Benedito, meu preto bonito…”, um dos meus encantos daquele CD. E o segundo? Preciso reouvir…No final do textim, tem um video com um puríssimo Zé Moreira.

E ele fez grandes noitadas de jazz no Don Oleari bar doce bar, tocando debaixo do pé de Romã, na calçada, e a “casa”, digo, a rua cheia…

Um xou de autor. Um Zé Moreira por inteiro. Compositor, músico, arranjos durabu. A música de Zé Moreir

a encerra os mistérios da negritude, da dissonância, da complexidade, da essência do nativo fuçando seus motivos, os elementos da sua origem, misturando congo, jazz, blues, africanidades.

Um retratim de uma passagem de som

Lá pras tantas, Zé diz que vai tentar um som de viola. Budaguiubariu, violeiro de raiz, da raiz, sonsaço de viola do jeitim quiu filho de Dona Leó aqui sempre gostchou muntchio.

Um Zé Moreira que busca os sons nas imagens dum manjubeiro – vender do peixe manjuba – meiqui manco descendo a escadaria, ou do vendedor de quebra queixo que passa todos os dias no seu edifício (é o Francisco, que passa também pelo nosso moquivo e foi descoberto pela filha Flávia).

Um artista tenso, intenso, puro, resguardando em cada acorde e em cada frase sua negritude, sua essência, sua história, sua vida, sua vivença, seus guardados.

“A tempo”, esse xou correto, redondo, todo arrumado, que ele levou no Centro Cultural Sesc Glória tem catiguria pra ir pros Sesc dos grandes centros, Rio de Janeiro, São Paulo, Belzonte, França, Oropa e Baia.

Componentes

Zé Moreira estruturou um time como não tinha visto antes por aqui.
Um Edu Schanbrun, dono de todos os sons, ritmos, ruídos, perfeito na formação.
Um Chiquinho Chagas no acordeon – não o conhecia – perfeitamente integrado nas sonoridades criadas por Zé Moreira e pelo quarteto.
Uma Elaine, poderosa voz, irretocável, superlativa em tudo: fez um número espetacular com Edu e Zé nos batuques, phodaço.
Acabei gritando em voz alta, depois de comentário do Zé Moreira:

– Coisa linnndaaaaa…!

“A Tempo” é um xou emocionante. Espero ter oportunidade de rever.

 

Pitaco do Oleari

 

E aproveito para sugerir ao poderoso chefão do Centro Cultural SESC Glória, nosso colega jornalista Gutman Mendonça, programar para “exportar” o xou de Zé Moreira para outras grandes praças. onde o Sesc tem excelentes estruturas, incluindo o eixo Rio, São Paulo, Belzonte, Baia.

Ora, “importamos” de tudo e o Sesc Glória é um importador de produtos variados de outras praças e outras bandas. Pelo que se sabe, importação, às vezes, a um custo altíssimo. Pois está na hora de pensarmos em exportar nossos bons produtos. E o Sesc Glória exdercer um importante papel de interlocução e conexão do nosso produto cultural com outros centros do País e do exterior.

Por que não? Sou um nativo da Rua da Lama, Colatina, minha terra – meu conterrâneo mais famoso, de rua e de cidade, é o professor Fernando Achiané – mas não tenho complexo de inferioridade. Penso do tamanho que, acho, um tanto de gente pelaí diviadi pensá. Fica aí o meu pitaco

Oswaldo Oleari,

jornalista, radialista,

gosta de dar pitaco mesmo sobre o que não entende, mas agradam a seu zouvidos.

Aí, um tema do seugndo CD.

 

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