Menu

tera, 12 de dezembro de 2017

Alvaro Nazareth: Movimento / Qual dos dois se aplica, secretário?

Senhor secretário André Garcia:

isso é silêncio ou é descaso?

 

Questionado pela imprensa pela demora da conclusão das investigações sobre o desaparecimento da menina Tayná, exatamente quando apresentava o desfecho do caso com a prisão do autor do crime, o secretário de Segurança do Estado do Espírito Santo, André Garcia, declarou que “o silêncio da polícia não pode ser confundido com descaso.”

De fato, era esta uma investigação complicada, que demandaria tempo, técnica e persistência para prosperar. O intervalo transcorrido a partir do embarque da menina no veículo até o alarme inicial de desaparecimento foi longo, o que deu tempo para o autor sumir do mapa.

Veio a fase de levantamento e cruzamento de dados, para se chegar ao Rio Grande do Sul, onde o procurado estava foragido e acabou preso. O que, indiscutivelmente, justifica o tempo gasto para a apresentação do resultado.

Ponto para a polícia, sem sombra de dúvida.

Entretanto, há situações em que o silêncio da polícia pode, sim, ser descaso. No interior, na roça, domicílios são invadidos em sequência, as pessoas são roubadas, humilhadas, e a polícia não aparece para fazer o seu dever de casa: policiar.

Na noite da última sexta-feira, 17/11, às 23 horas, um casal de idosos passou por forte tensão quando um veículo se aproximou da casa deles, estacionou a uns 300 metros e apagou os faróis.

Eles telefonaram para o 190, foram muito bem atendidos, mas o atendente informou que como eles estavam no município de Guarapari, enviariam uma viatura de lá. O idoso ponderou que sua localização era a 14 km de Alfredo Chaves e a 18 km de Marechal Floriano e que Guarapari estava a 54 km.

O atendente afirmou que entendia a razão do idoso, porém, como militar, tinha que cumprir as ordens e que ele, o idoso, receberia uma ligação em seguida. O que aconteceu em menos de um minuto.

Ligou uma mulher, muito polida, preparada, que confirmou toda a primeira conversa. Ao que o idoso ponderou: conheço a corporação de vocês pelo nome de Polícia Militar do Espírito Santo e não do município tal, ou qual.

Ouviu como resposta, muito polidamente, é bom que se diga, que eles cumpriam ordens. A policial informou que deslocaria viatura e despediram-se com boas noites e muitos obrigados.

E o carro parado lá, a 300 metros, com uma luzinha interna ligada.

Já se aproximando da meia-noite, o idoso perdeu a paciência e despejou três disparos morro abaixo. O carro ligou a jato e saiu em disparada. E os idosos puderam dormir, se é que conseguiram.

Senhor secretário André Garcia: isso é silêncio ou é descaso?

NR: o narrado acima não é ficção, é ocorrência e está gravada no 190 de 17/11, por volta da 23 horas.

Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.

Comentários