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quarta, 30 de setembro de 2020

Acadêmicos desenvolvem projeto de captação de água da chuva em escolas de Ji-Paraná

Projeto Terra, Água, Ar

Do Portal Don Oleari / Rádio Clube da Boa Música / TV Rádio CBM

 

Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central

(Fotos: Pâmela Fernandes/G1) 

Projeto leva economia de água e conscientização ambiental em três escolas do município (*). Trabalho é desenvolvido por estudantes de Engenharia Ambiental da Unir (Universidade Federal de Rondônia).

Quem vê canos em cima do telhado e uma estrutura simples de madeira para dar suporte à caixa d’água, não imagina que toda esta simplicidade do projeto final, carrega uma bagagem de conhecimento bem maior do que os olhos podem ver. A estrutura faz parte de um projeto ambiental de acadêmicos de engenharia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e está levando economia de água e muita consciência para estudantes e professores com a captação de água da chuva em escolas.

O projeto “Olericultura escolar: educação ambiental, cidadania e sustentabilidade” já está implantado em duas escolas e em fase de implantação em uma terceira escola. Tudo começou no início do ano de 2015, quando dois estudantes de engenharia ambiental da Unir do campus Ji-Paraná, André Procópio e Gabriel Araújo, viram um projeto de captação de água na internet e propuseram ao professor desenvolver algo semelhante.

O professor topou orientá-los e os estudantes escreveram o projeto. A ideia deu certo desde o início, tanto é que os acadêmicos conseguiram bolsa para desenvolver o projeto. “Escrevemos, o professor corrigiu, fomos aprovados e conseguimos a bolsa. Depois, ele acabou se tornando o meu tema de Trabalho de Conclusão de Curso”, explica Procópio.

Água pode ser utilizada para aguar plantas e lavar o pátio

Mãos a obra

A partir de março de 2016, os acadêmicos começaram a executá-lo em uma escola na zona rural de Ji-Paraná. Depois, a proposta também foi instalada na escola municipal José Antonio Bianco.

– “Primeiro conhecemos o perfil da escola, levantamos qual era a percepção ambiental dos alunos, se tinha isso em sala ou não. Então, fizemos capacitação dos professores para que a educação ambiental conseguisse entrar em cada matéria”, explica.

Mas o projeto não fica apenas na teoria, o conhecimento também vai para a prática. Depois de todo processo de oficinas com professores, alunos e os pais, os acadêmicos começaram a colocar o conhecimento em prática implantando o sistema de captação de água da chuva.

– “Desde o início, nosso planejamento era trazer isso para a escola, pois, além de trazer uma redução de custos, seria também um beneficio para as crianças, porque a conscientização dentro do ambiente escolar é muito maior, pois eles estão abertos ao aprendizado aqui”, afirma o acadêmico.

Projeto foi criado por alunos de Engenharia Ambiental da Unir 

A implantação e captação

Para a implantação, a escola conseguiu um financiamento de R$ 2 mil. Mas não era o suficiente. Além da mão de obra ser dos próprios acadêmicos, algumas doações contribuíram para que a execução do projeto acontecesse.

Eles precisam de um reservatório de mil litros, canos, outro reservatório de água de lavagem e um filtro e para o sistema de distribuição, mais canos, registros, torneiras e materiais hidráulicos simples.

– “É um projeto simples, gravitacional. São materiais que podem ser encontrados em qualquer loja de materiais para construção. Um projeto que pode ser desenvolvido em qualquer casa”, explica Procópio.

O sistema foi implantado em parte do telhado da escola. De acordo com o acadêmico, em cerca de 40 minutos de uma chuva razoável, é possível encher a caixa de água de mil litros.

A água que fica armazenada, passa por um filtro que elimina os resíduos mais grossos. A primeira água, ou seja, a água de lavagem que limpa o telhado, vai direto para outro reservatório, pois contém impurezas que o filtro não elimina.

Utilização da água

Depois de cheia a caixa, é preciso esperar o processo de decantação, ou seja, que as impurezas que não foram filtradas se separem da água e fiquem na parte de baixo da caixa. Então, a água capturada, pode ser utilizada em todo o processo de limpeza ou para aguar as plantas.

A vice-diretora da Escola Municipal Antônio José Bianco, Eusiane Lima, conta que o projeto agregou muito ao conhecimento e economia da escola. Hoje, parte da limpeza da escola é feita com a água captada da chuva e, mais para frente, também será utilizada para aguar a horta que será plantada na escola. Porém, para Eusiane, o beneficio vai além da economia de água na hora da limpeza dos pátios da escola.

– “A gente sempre busca por parcerias para somar com os conhecimentos que temos que desenvolver aqui na escola. A questão ambiental é muito presente e faz parte do currículo. Essa parceria veio para agregar de forma prática, deixando para escola algo realmente útil”, explica a vice-diretora.

O aprendizado

O estudante Mateus Costa Mandu tem 10 anos e estuda no 4º ano do ensino fundamental. Ele conta que aprendeu a importância de cuidar da água, pois é um bem que pode acabar.

– “A água é muito importante. A gente usa para um monte de coisas, para beber e também para limpar as coisas. Com isso (o sistema de captação), vamos economizar e não estragar a água”, afirma o estudante.

Com anos 11 anos e no 5º ano do ensino fundamental, Anna Heloisa Pereira da Silva já sabe quais são as hortaliças e vegetais que quer cultivar na futura horta da escola: alface, beterraba e cenoura.
Ela conta que aprendeu muito sobre a utilização da água e o quanto é importante cuidar e economizá-la.

– “A gente tem muita água salgada no mundo, mas pouca água doce, que é a que a gente usa. E não tem como a gente viver sem água. Então, tem que cuidar”, afirma.

Terceira escola

Agora, depois de implantar o sistema em duas escolas, os alunos foram convidados para implantar o sistema

de captação na Escola Estadual Jovem Gonçalves Vilela. Os trabalhos começaram em 2017 e, desta vez, o desafio é bem maior e com mais acadêmicos e voluntários se juntaram ao grupo.

– “Nesta escola permanecemos com a reutilização da água da chuva, mas agora, o projeto vai suprir não apenas parte da necessidade de água não potável, mas toda a necessidade de água não potável da escola. Descarga dos banheiros, limpeza. Tudo que não é para ser ingerido”, explica Procópio.

O primeiro passo foi colher todos os dados para conhecer qual a necessidade da escola, conversando com professores e alunos. Agora o projeto está em fase de tabulação e deve ficar completamente concluído em junho de 2018.

(*) Ji-Paraná, município de Rondônia. População: 131 560 habitantes – segundo mais populoso do estado e décimo sexto mais populoso da Região Norte do Brasil.

Fonte: https://g1.globo.com/ro/ji-parana-regiao-central/noticia/academicos-desenvolvem-projeto-de-captacao-de-agua-da-chuva-em-escolas-de-ji-parana.ghtml

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