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quinta, 19 de abril de 2018

As Certinhas do Oleari + Poesia erótica: Rodrigo Mello Rego / Soneto do olho do cu, de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud

Posso até parecer grosseiro, mas tiro o meu cu da reta para publicar um soneto de Verlaine e Rimbaud, dois dos mais importantes poetas franceses de todos os tempos, que ganhou espaço na monografia de Karla Noronha da Silva, da Universidade do Paraná, como “poeta maldito”: “Soneto Olho do Cu”.

A sexualidade e o erotismo acompanham a humanidade desde as civilizações primevas, acentuou a autora.

Os que se deleitam com a poesia confirmam a opinião lendo também Safo, Aristófanes, Ovídio e com ênfase maior Verlaine e Rimbaud, atuando em duas frentes conflitantes de sua criação poética dividida em dois aspetos – o espiritual e o carnal.

Verlaine, que leio desde os bancos acadêmicos, passou à História como extraordinário poeta e do outro lado como amante de Rimbaud, uma outra história, esta de escândalos que balançoçaram a sociedade francesa do seu tempo. uma outra história, esta de escândalos que balançoçaram a sociedade francesa do seu tempo.

Verlaine se tornou alcoólatra depois do seu trágico rompimento amoroso com Rimbaud, após tentar matá-lo com um tiro de revólver.

A foto à direita mostra a arma usada por Paul Verlaine para atirar em Arthur Rimbaud.
Morreu em janeiro de 1896, mas tornou-se imortal pela legendária obra literária que deixou.

Eclipse de uma paixão de 1999 – Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, este vivido por Leonardo DiCaprio, 

Heloisa Jahn escreveu que “embora a poesia erótica não seja uma modalidade que emocione, este é um caso que  gostaria de dividir”: – “Soneto do Olho do Cu”.

 

Soneto do olho do cu

Arthur Rimbaud e Paul Verlaine

Tradução de Marcos Silva

Obscuro e pregueado cravo violeta
Respira, humildemente no meio da espuma

Inda úmida de amor que em doce encosta ruma Da brancura da bunda à beirada da meta.Filamentos tais como lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através de coágulos de barro em pele,
P’ra se perder depois onde a encosta os deite.

Mi’a boca se ajustou muita vez à ventosa
Minh’alma, do coito material invejosa,
Fez ali lacrimal e de soluços ninho.
Azeitona em desmaio e taça carinhosa
O tubo onde desce celeste noz gostosa Canaã feminino em suor muradinho!

Rodrigo Mello Rego é jornalista,

Mestre em Estudos Literários

Pesquisador de literatura erótica

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