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sbado, 20 de outubro de 2018

Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado / Tudo tão vago, de Mario Quintana

O povo cristão se prepara para assinalar o nascimento de Jesus Cristo neste mês de dezembro e o Portal Don Oleari, nesse simbólico dia 25, se associa ao sentimento que marcou a abertura de uma nova era na vida da humanidade.

Então meninos, armávamos nossa árvore de Natal iluminada por luzes coloridas, deslumbrados com o presépio rústico armado na sala de visitas,
e ao deitar para dormir colocávamos o sapato junto à janela para receber os presentes trazidos por Papai Noel descendo pela chaminé…

Adolescentes e presunçosos, riamos da lenda do trenó puxado por renas cruzando o céu com o bom velhinho , com a escolha antecipada
do presente que nossos pais iriam comprar e colocar ao pé de uma árvore natalina montada sem nenhuma emoção.

Adultos, um quase retorno no espaço e no tempo. A mesma criança que ingenuamente acreditava, o mesmo adolescente incréu,
já então maduro, passou a ser o próprio Papai Noel para toda família.

Ahhh! e com a força de marketing muito superior ao apelo de um dia que deveria ser santo, a troca de presentes passou a ser quase imperativo, tornando as comemorações do Natal do Menino Jesus
uma festa quase pagã para as lojas de comércio e para o mercado consumidor.

Trenó feito de serragem e rena feita de varas. 

A simbologia do Natal no entanto é a mesma. Há sempre uma magia tornando o dia sagrado, inspirando sentimento de fraternidade,
tornando mais mansos nossos corações.

É assim que neste sábado, ante-véspera da semana do Natal, o Portal Don Oleari por esta coluna, e a Rádio Clube da Boa Música,
sugerem a leitura de poemas que buscam manter viva a história da mais importante data para o mundo cristão.

Tudo tão vago

Mário Quintana

Nossa senhora
Na beira do rio
Lavando os paninhos
Do bento filhinho…
São João estendia,
São José enxugava
e a criança chorava
do frio que fazia

Dorme criança
dorme meu amor
que a faca que corta
dá talho sem dor
(de uma cantiga de ninar)
Tudo tão vago…Sei que havia um rio…
Um choro aflito…Alguém cantou, no entanto…
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu…
O menino dormira…Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu…
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto…
E era a voz que eu ouvi em pequenino…
E era Maria junto à correnteza,
Lavando as roupas de Jesus Menino…

Eras tu…que ao me ver neste abandono
Daí do céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!…

Rubens Pontes é 

jornalista,

poeta, escritor

– Passos, saltos & quedas,
livro de Rubens Pontes no linki abaixo:https://rubenspontes.com.br

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