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quinta, 16 de agosto de 2018

“Nelore Valente”, moda de viola, pelos violeiros João Paulo e Daniel

Pitaco do Oleari

 

Sou da moda de viola, da catira, do cururu, do padode inventado pelo João Carreiro. Na batida da viola, sempre fui fissurado.

Como bato adoidado no lixo musical do “sertanojo universitário” – expressão que roubei de amiga nossa arquiteta de São Paulo – decidi mostrar aqui uma curiosidade.

Ouçam a dupla João Paulo e Daniel – eles mesmos – cantando uma moda meio lenda no cenário da música caipira de raiz.

A letra tem um enredo completo e a história, confesso, me emociona. Existem outras gravações, mas escolhi essa pra mostrar que Daniel, na ativa com  seu breganejo, e o ex-parceiro João Paulo, sempre foram violeiros dusbão.

É só chuchá o dedo no vídeo lá embaixo e ouvir a história do bezerrim que custou um emprego, mas sobreviveu sob os cuidados do avô que cuidou do bichim.

A primeira gravação de “Nelore Valente” foi feita pela dupla Sulino – um dos autores – e Marrueiro. Não conseguir encontrar um registro da gravação (Oswaldo Oleari).

 

Nelore Valente
João Paulo e Daniel

Compositores: Sulino / Antonio Carlos

Na fazenda que eu nasci
vovô era retireiro
em criança eu aprendi
prender o gado leiteiro
um dia de manhãzinha
vejam só que desespero
tinha um bezerro doente
a ordem do fazendeiro
mate logo este animal
e desinfete o mangueiro
se essa doença espalhar
poderá contaminar
o meu rebanho inteiro

eu notei que o meu avô
ficou bastante abatido
por ter que sacrificar
o animal recém nascido
nas lágrimas dos seus olhos
eu entendi seu pedido
pus o bichinho nos braços
levei pra casa escondido
com ervas e benzimentos
seu caso foi resolvido
com carinho eu lhe tratava
e o leite que o patrão dava
com ele era dividido

quando o fazendeiro soube
chamou o meu avozinho
disse você foi teimoso
não matando o bezerrinho
vai deixar minha fazenda
amanhã logo cedinho
aquilo feriu vovô
como uma chaga de espinho
mas há sempre alguém no mundo
que nos dá algum carinho
e sem grande sacrifício
vovô arrumou serviço
ali no sítio vizinho

em pouco tempo o bezerro
já era um boierado
bonito, forte, troncudo,
mansinho e muito ensinado
automóvel do atoleiro
ele tirava aos punhados
por isso na redondeza
ficou bastante afamado
até que um dia a noitinha
um homem desesperado
gritou pedindo socorro
seu carro caiu no morro
seu filho estava prensado

o carro da ribanceira
o boi conseguiu tirar
o menino estava vivo
seu pai disse a soluçar
qualquer que seja a quantia
este boi eu vou comprar
eu disse ele não tem preço
a razão vou lhe explicar
a bondade do vovô
veio seu filho salvar
esse nelore valente
é o bezerrinho doente
que o senhor mandou matar

Oswaldo Oleari ou Oleare

é Editor Chefão

Portal Don Oleari / Rádio Clube da Boa Música / TV Rádio CBM

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