Menu

quinta, 24 de setembro de 2020

Pesquisadores do Incaper do ES criam tecnologia inédita no mundo na produção de mini-repolhos.

A técnica é aplicada nas lavouras de repolho, após o corte das cabeças de tamanho normal, a partir de brotações que ocorrem naturalmente nos caules das plantas.

Estas brotações são manejadas para se deixar desenvolver novas e pequenas cabeças de repolho, de tamanho mini, chamadas de mini-repolhos.

Obtém-se assim uma segunda colheita, com grande vantagem econômica em relação à colheita do repolho normal, devido à redução de mão-de-obra e do custo de produção, além do ciclo reduzido em até 50 dias.

Foram desenvolvidos trabalhos de pesquisa em sistema orgânico no período de 2013 a 2016 para ajustes tecnológicos visando determinar o número de brotos, o tamanho das mini-cabeças, a nutrição das plantas, os custos e a rentabilidade.

Segundo o pesquisador do Incaper Jacimar Luis de Souza (foto), doutor em Agroecologia, a motivação para o desenvolvimento dessa tecnologia ocorreu diante da dificuldade em se obter um produto comercial com peso médio desejado pelo consumidor, pois geralmente, no Brasil, colhem-se cabeças de repolhos orgânicos muito grandes, acima de 2 kg. Essa técnica permite produzir mini-repolhos de 400g em média.

– “A técnica de produção de mini-repolhos orgânicos por rebrota da planta-mãe foi iniciada na Unidade de Referência em Agroecologia do Incaper, no município de Domingos Martins/ES, no ano de 2013, podendo ser uma alternativa eficiente para obtenção de repolhos com peso médio mais apropriado ao desejo do consumidor atual”, explicou Jacimar.

Ele também disse que a produção de mini-repolhos confirmou-se pela economia de 34% em mão-de-obra e 45,8% no custo de produção, comparados aos gastos do repolho de até 2 kg, alé,m de uma rentabilidade de cerca de 130%.

Tecnologia inédita no mundo

– “Atualmente são duas as alternativas para a produção de mini-repolhos, isto é, cabeças de menores tamanhos: o uso de híbridos comerciais e a redução do espaçamento de plantio. Porém, essas alternativas não são suficientes para reduzir o tamanho para o mercado de mini-hortaliças, pois elas geram mini-repolhos com peso relativamente altos, de 0,8 a 1,2 kg. Não há relatos na literatura mundial sobre a produção de mini-repolhos pelo cultivo de brotações secundárias, conforme a tecnologia desenvolvida por nós no Incaper”, aqui no Espírito Santo”, explicou Jacimar.

Pesquisadores do Incaper já publicaram dois artigos científicos sobre essa tecnologia: um na Revista Ciência Rural e outro na Revista Brasileira de Agropecuária Sustentável. Nesses artigos, os pesquisadores determinam a densidade adequada de brotos a ser manejada na planta-mãe e a resposta de mini-repolhos a níveis de nitrogênio em composto orgânico, respectivamente.

Mercado de mini-hortaliças

O mercado de mini-hortaliças no Brasil é crescente e de grande valor comercial. São produtos que possuem elevado valor agregado, com boa rentabilidade e são menos suscetíveis a oscilações de preços em relação as hortaliças tradicionais.

No início dos anos 1990, o mercado de mini-hortaliças registrou uma evolução mais consistente nos países desenvolvidos da Europa, com as modificações das preferências dos consumidores, especialmente pela valorização desses produtos nas cozinhas gourmet e nas redes de fast food.

A princípio, apenas os donos de restaurantes mais requintados usavam esses produtos em seus pratos, mas a partir do ano 2000 essas hortaliças diferenciadas passaram a ser encontradas também no mercado varejista e atacadista.

O aumento da demanda por mini-hortaliças está relacionado com a tendência de consumo de alimentos benéficos para a saúde, de melhor sabor e facilidade no preparo para consumo, aliados ao apelo ecológico, atendendo aos hábitos dos consumidores modernos.

Devido ao menor número de componentes das famílias brasileiras e do maior grau de conhecimento sobre a qualidade dos produtos, os consumidores atuais têm dado preferência a produtos de menor tamanho, quando possível, associado ao maior valor nutritivo.

Segundo Jacimar Luis de Souza, a pesquisa científica pode se tornar uma fonte estratégica de inovações para a oferta de produtos orgânicos diferenciados, com elevado valor agregado, que atendem às tendências do perfil do consumo de alimentos, como é o caso das mini-hortaliças.

– “As mini-hortaliças podem ser obtidas por meio do melhoramento genético de plantas focado na seleção de órgãos de tamanho reduzido, tais como frutos, folhas, vagens, bulbos, entre outros. Também podem ser produzidas por ajustes nas técnicas de cultivo, especialmente espaçamentos reduzidos ou pela colheita antecipada do produto, antes de alcançar o tamanho de mercado convencional”, explicou o pesquisador.

As mini-hortaliças comumente encontradas no mercado são tomate, cenoura, beterraba, mini-milho, ervilha, vagem, alface, cebola, couve flor, berinjela, batata e abobrinha.

Com Luciana Silvestre

Edição final: OO.

Comentários