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quinta, 19 de abril de 2018

Alvaro Nazareth: Movimento / Janela indiscreta

De um gabinete dentário pode-se instigar diferenças reveladoras.

Ligadíssimo leitor enviou foto de um ângulo que contrapõe o prédio do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, em primeiro plano, e o do Tribunal Regional do Trabalho, ao fundo e em construção (foto).

A desproporção de tamanho é gritante e indiscutível. O TJ acolhe todas as ações recorridas no Estado, enquanto o TRT recebe apenas as trabalhistas. Então, por que um prédio tão maior assim?

Principalmente porque, em nível nacional, em 2016 a justiça do trabalho custou aos cidadãos mais de R$ 17 bilhões e julgou cerca de R$ 8 bilhões. Ou seja, produziu menos da metade do seu custo.

As respostas começam a ser encontradas na placa sobre o tapume da obra, assinada pela empresa responsável pela construção: Paulo Octávio. E, mais discretamente exposta, nas paredes do tapume, da empresa capixaba executora do serviço, a Acta Engenharia. E continuam nas conexões a seguir.

Coisa de bandido

Uma empresa de fora vence uma licitação e subempreita uma nativa para a execução, a Acta, sendo que essa nativa, que de nativa só tem a origem, porque é comandada pela Delta Engenharia, do notório Fernando Cavendish.

Fernando Cavendish é eneaneto de Thomas Cavendish, o corsário inglês que tentou assaltar Vitória e foi derrotado por Luiza Grimaldi, a quem muitos capixabas insistem em chamar de Grinalda, mas, que não é Grinalda. É Grimaldi, da mesma linhagem da família que conduz o Principado de Mônaco há muitos séculos secullorum.

A Delta é uma empresa considerada inidônea pelo Tribunal de Contas da União e não pode contratar com o poder público, razão pela qual adquiriu a Acta Engenharia para tocar a obra do TRT e a manutenção do programa de esgotamento sanitário da Cesan em Vitória. E Fernando Cavendish está enrolado na Lava a Jato por participar do esquema de corrupção montado e comandado pelo ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, entre muitos outros rolos Brasil afora.

Por seu lado, a PauloOctávio, não fica atrás. É nada menos que protagonista de uma série de escândalos onde se destacam o da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo pelo TRT presidido pelo juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, na década de 1990 do século passado, condenado a 26 anos e seis meses de prisão por desviar R$ 170 milhões e indultado ao cumprir um terço da pena, e incluso na operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal e do Ministério Público também federal.

A Caixa de Pandora investigou um mega esquema de ladroagem montado em Brasília nos governos de Joaquim Roriz e seu sucessor José Roberto Arruda, cujo vice era Paulo Octávio Alves Pereira, mineiro de Lavras nascido em 13/02/1950, que prosperou no mundo dos negócios e acabou preso quando a casa caiu. O caso ganhou o apelido de Mensalão do DEM.

Paulo Octávio teve também uma trajetória política: foi deputado distrital, federal, senador e vice-governador. Depois de preso, não foi mais nada, não. Sequer consegue espaço em um partido para disputar uma eleição.

Pandora, que deu nome à operação policial, teria sido, segundo a mitologia grega, a primeira mulher criada por Zeus e sua caixa seria um grande jarro que guardava todos os males do mundo.

Aparentemente, no Brasil a lenda se materializou. Roriz, Arruda, Paulo Octávio e todos os flagrados nas falcatruas jamais reencontraram seus centros de gravidade.

Em Vitória, sabe-se que a obra do TRT está sob investigação. Pudera: seu orçamento inicial de R$ 108.519.331,33 evoluiu para R$ 150.080.073, 51. Não se sabe, ainda, os nomes e sobrenomes dos investigados.

Fica assim como o célebre pensamento argentino: no creo em brujas, pero que las hai, las hai.

Alvaro Nazareth – Economista, Jornalista e Publicitário. Trabalhou no jornal O Diário, Rádio Espírito Santo, Revista Agora, Jornal da Cidade, A Gazeta e A Tribuna. Fundou a Uniarte Agência de Propaganda e dirigiu comercialmente a Eldorado Publicidade, a Rede Tribuna e o jornal eletrônico Século Diário. Foi Secretário de Comunicação da Prefeitura de Vila Velha e do Governo do Estado do Espírito Santo.

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