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quarta, 20 de junho de 2018

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Da corneta à sanfona de 8 baixos

 

Na foto, assinalado com um círculo, bem à frente do lado esquerdo, aparece o então corneteiro Luis Gonzaga.

Escrevendo neste Portal sobre a singular figura que foi Manoel de Barros, Oswaldo Oleare postou ao pé da coluna

uma gravação de “Assum Preto”, magistral interpretação de Luiz Gonzaga, nome que seria consagrado como um dos mais importantes músicos e compositores brasileiros, até hoje reverenciado no País e além dele.

Ocorre-me lembrar, a proposito deste registro, a genialidade do norte-americano Louis Armstrong (foto), que, de corneteiro de uma banda militar, fez sua incursão na música americana e se tornou o maior trompetista de todos os tempos.

Pois acho que nem o Oswaldo Oleari ou Oleare tem conhecimento de que Luiz Gonzaga, a exemplo do músico americano,

foi, em 1931, o corneteiro do 12º Regimento de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Depois disso, sua vida de militar sempre como corneteiro em Minas se estendeu a Juiz de Fora, Ouro Fino e São João del-Rei.

Nessas voltas que o Mundo continua dando, o safoneiro de Exu voltou à Capital mineira, em 1988, onde residia já há algum tempo seu filho

Gonzaguinha, para realizar na cidade uma cirurgia destinada a recuperar a visão de um dos seus olhos, o outro já cegado num acidente ao lado do filho.

Louise Martins e sua filha Mariana Gonzaga relembram a vida do marido, pai e cantor no escritório que ele tinha em casa (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press).

“Fotogarfada” em http://www.neyvital.com.br/2018/01/luiz-gonzaga-o-rei-do-baiao-e-o-amor.html

Gonzaguinha morou em Belo Horizonte de 1980 a 1991, ano em que morreu. Foi lá que conheceu e se casou com a mineira Louise Martins com quem teve uma filha, Mariana, hoje com 35 anos.

Para a neta, poetou Gonzagão: 

“Eu vou pra ver Mariana

Mariana sorrir e dançar

Mariana brincando na vida

tô correndo para lá

e vou levando a sanfona

mode a gente cantar.

Ei garota pirritota, Mariana, Mariana.”

LP “Luiz Gonzaga – Danado de Bom”
1984 – RCA – Arranjos e regência de Chiquinho do Acordeon, destaque para os clássicos “Danado de Bom” e “Sanfoninha Choradeira”, ambas de Luiz Gonzaga e João Silva.

O bairro onde residia Gonzaguinha e onde se hospedou Gonzagão, a Pampulha, serviu também de inspiração

para a criação do clássico “Lindo lago do amor” (vídeo lá embaixo).

A figura do nordestino Luiz Gonzaga, lembrada no registro do pantaneiro Manoel de Barros pelo capixaba Oswaldo Oleare

e agora revivida por este mineiro, leva esta coluna, o Portal Don Oleari a a Rádio Clube da Boa Música ao poema para este sábado

– os sensíveis, marcantes e doloridos versos da composição AS

A BRANCA, do imortalizado sanfoneiro de Exu – um clássico lamento sertanejo, composto em 3 de março de 1947.

Na foto, a ave “Asa Branca”, que deu nome ao lamento de Gonzaga, em extinção. “Fotogarfada” no blog da terezinha sobreira

Asa Branca

Luiz Gonzaga

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Depois eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Depois eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Rubens Pontes,

jornalista, escritor,

poeta, pescador no Rio Araguaia

Além de Sivuca, Fagner e Guadalupe, participam Oswaldinho e Dominguinhos (Elba Ramalho aparece dançando e João Nogueira na plateia).

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