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segunda, 23 de julho de 2018

Tião Martins – México: brincar com fogo atropela o futuro

Tião Martins, de Belo Horizonte/MG

Além das agressões e assassinatos que ocorrem em casa e nas ruas, os mexicanos estão mergulhando cada vez mais fundo em conflitos grosseiros com mulheres que eles nem conhecem.

Mexicana um desfile do Dia Internacional da Mulher

A grande novidade é que, embora saibam que correm perigo, algumas dessas mulheres passaram a reagir bravamente aos rapazes e velhinhos ameaçadores.

Muitas garotas e senhoras já não fogem mais do bate-boca, expõem suas ideias, rejeitam a idiotice dos adversários e querem ser tratadas como seres humanos e não como propriedade de machos.

Ainda são raras aquelas que ousam discutir publicamente os seus direitos com os machinhos agressivos, porque o risco de morte está sempre presente, mas já é um passo à frente.

Analfabetos e doutores gerados em universidades não hesitam em repetir o discurso de que as próprias mulheres escolhem a violência que vão sofrer, quando usam vestidos tão curtos que expõem suas nádegas em público.

Em pleno século 21, é como se essa “troca de gentilezas” estivesse acontecendo há 500 anos ou mais.

Não são todos os políticos e doutores que participam dessas discussões, mas os vorazes – talvez punidos pelo desemprego – não ocultam o ódio e o nojo que sentem das madames e garotas melhor situadas na vida pública do país.

Uns e outros, mais lúcidos ou simplesmente mais jovens, até contestam, cuidadosamente, as afirmações dos radicais. Mas são poucos aqueles que têm a coragem de afirmar publicamente que a mulher também é um ser humano e tem os mesmos direitos que os machinhos pobres ou ricos.

A chefe do mais temido cartel de drogas de mulheres do México foi entregue à polícia pelo próprio namorado, também traficante.

 

Os políticos, em sua maioria, preferem manter distância dessa questão e fogem da responsabilidade de dissolver um conflito que tem provocado tanta violência e morte no país.

E os mais ricos, como se não tivessem nada com isso, preferem levar seus filhinhos para Nova Iorque e gastar por lá a montanha de dinheiro que acumularam ao longo dos anos.

Não é exagero afirmar que muitos mexicanos odeiam as mulheres e, sobretudo, aquelas que estudaram e receberam diplomas que lhes permitem o acesso a postos mais altos de trabalho.

Analisado à distância, é fácil perceber que o atual cenário do México pode se encaminhar para conflito de grandes proporções, mas os atuais governantes agem como se vivessem na terra mais pacífica das Américas.

Esse cenário não é coisa de cinema e nem capítulo de livrinho infantil. O México, que já se envolveu em grandes batalhas e perdeu muitas, para sempre, encontra-se, de novo, à beira de um conflito.

Talvez o mais violento de todos…

Tião Martins

é jornalista

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