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quarta, 14 de novembro de 2018

Alencar Garcia de Freitas: O penico sumiu! E agora?

Penico ou Urinol

 

Sou do tempo em que o penico tinha papel importante na família. As mais abastadas se davam o luxo de disponibilizar um penico para cada um da casa.

Os menos abastados só contavam com um penico para todos. Quem o usasse por último tinha obrigação de esvaziá-lo no quintal da casa. Para isso tinha que abrir um buraco no chão e enterrar a sujeira toda ali. Depois tinha que lavá-lo e colocar no mesmo lugar de antes. Numa família numerosa e pobre era uma batalha, porque ninguém queria ficar com essa triste tarefa. Se a família era abastada cada um que cuidasse do seu penico, inclusive enterrando a sujeira e lavando o dito cujo.

Um dia, porém, no caso dos pobres que contavam apenas com um penico para uso de todos, este sumiu, misteriosamente. E agora? A solução foi fazer uma reunião com todos da família, discutir, propor e decidir o que fazer dali para frente…

As decisões quando tomadas democraticamente, sejam em questões como a do sumiço do penico, ou noutra qualquer, devem ser sempre levadas a sério. Mas afinal qual o resultado da reunião “extraordinária” da família para ver o caminho a seguir?

Pois bem, na tal reunião foram colocadas duas opções; a primeira era a compra de um novo penico para uso coletivo; a segunda proposta era a construção de uma latrina para uso de todos da família, do lado de fora da casa. Com apenas um voto contra, ficou aprovada a segunda proposta. Quanto à higienização do espaço foi aprovada uma escala e cada dia um membro da família responderia pela limpeza completa da latrina.

Bom seria se no cotidiano dos moradores de um bairro ou lugarejo tudo o que fosse de interesse e uso público passasse pelo voto da comunidade, inclusive a conservação e limpeza fossem de responsabilidade da comunidade como um todo, porque dessa maneira todos os usuários do que é público saberiam dar mais valor aquilo que foi criado e implantado para o bem da comunidade.

A comunidade tem que se conscientizar e se preparar cada vez mais para conservar e valorizar o que é de real interesse público, de tal maneira que todos se beneficiem grandemente do que é destinado a ela e seus usuários.

Alencar Garcia de Freitas

é jornalista

 

Pitaco do Oleari

Tem também o Museu do Penico. Fica na cidade de Rodrigo, Salamanca, na Espanha, e é considerado o maior do mundo, de propriedade de José María del Arco “Pesetos” e família.

A Blogueira Joana Lopes anota:

– “No século XIX os conservadores argumentavam que o socialismo seria impossível porque não haveria ninguém para despejar os penicos. Blanqui, um revolucionário que passou em prisões variadas mais de metade da sua vida adulta, respondeu que no socialismo cada um limparia o seu próprio penico. Ele não previu que houvesse hoje quem defendesse que não é preciso ninguém limpar os penicos.”.

O penico – ou urinol – da foto à direita é o que poderia se chamar de “penico arte”, peça de museu, naturalmente.

Seria para bundas de castas especiais, gente das cortes e dos palácios, bundas nobres e abastadas.

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