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segunda, 15 de outubro de 2018

Aqui Rubens Pontes – Meu poema de sábado / Sons noturnos, de Dionísio Del Santo

Sons noturnos: quando santo

de casa também faz milagres

 

Entre o que afirmava o Zé da Esquina – “Santo de casa não faz milagres” – e o que assinalou São Marcos, fico com o Apóstolo (6:4):

– “Jesus lhes afirmou: somente em sua própria terra, junto aos seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não é devidamente honrado?”

Levanto essas premissas para assinalar que um extraordinário polivalente nas artes, que pode ser inserido entre os

100 maiores nomes do pensamento brasileiro, é um capixaba, filho de lavradores italianos, nascido em 1925 na cidade de Colatina, Espírito Santo.

Artista plástico reverenciado pelo seu indiscutível talento, Dionísio Del Santo deixou a marca de sua criatividade como pintor, desenhista, gravador,

polígrafo, publicitário e poeta, várias vezes premiado pelo seu trabalho.

Um resumo das atividades de Dionísio del Santo no campo da arte foi registrado por Renata Bonfim (poeta com presença nesta coluna em abril de 2007) revelando que o pintor, desenhista e gravador colatinense transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1946.

Exposição Dionísio Del Santo – Um concretista marginal ou injustamente esquecido,
Museu de Arte do ES “Dionísio Del Santo”,
12 de novembro de 2007 a 1º de março de 2008

Com pleno domínio dos processos serigráficos foi sobretudo nessa
técnica que se destacou no panorama da arte brasileira da
segunda metade do século XX.

Realizou individuais no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo,
com destaque para a de estreia, em 1965, na Galeria Relevo, a
retrospectiva de 1973, no Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro, e a de 1989/1990, apresentada no Paço Imperial, Rio de Janeiro, e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, respectivamente.

Participou da mostra Opinião 66, no Museu deArte Moderna do
Rio de Janeiro, da Bienal de São Paulo (1963 e prêmio de aquisição
em 1967), do Salão Nacional de Arte Moderna (1967 e isenção de júri em 1968) e de diversas coletivas.

Em 1978, conquistou o prêmio de Artes Plásticas do Instituto Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro.

O Portal Don Oleari, a Rádio Clube da Boa Música e este
colunista mostram uma das facetas da arte de Dionísio del Santo,

de grande poeta, escolhendo como Poema deste Sábado “Sons
Noturnos”, um decassílabo impecável.

Rubens Pontes”.

Sons noturnos

Dionísio Del Santo

Estala, canta a folha da palmeira,
Embalsamando os ares de harmonia,
Depois definido, tímida e macia,
Nesse drama da noite feiticeira.

Sorri, soluça e geme a capoeira…
E o vento, ouvindo a triste melodia,
Vai rindo, loucamente, de ironia
Nos ramos denegridos da mangueira.

Enfim, tudo emudece, de repente
Tristíssimo silêncio a noite abraça
Como pausa de etérea serenata…

É da coruja fúnebre somente
O gargalhar extrídulo perpassa
O taciturno âmago da mata.

Rubens Pontes

é jornalista, poeta,

escritor –

– Passos, saltos & queda livro de Rubens Pontes no linki abaixo: https://rubenspontes.com.br

 

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