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tera, 19 de junho de 2018

Tião Martins: O futuro é mulher

Tião Martins, de Belo Horizonte/MG

Os escritores latino-americanos publicados por uma editora do México, a Ghandi, fazem inveja aos brasileiros tanto em conteúdo quanto em número e volume de vendas.

         Enquanto repetimos por aqui, anos após anos, o melhor dos nossos melhores autores consagrados, como Clarice Lispector (foto), os mexicanos oferecem novidades interessantes a cada mês.

         Queira você ou não, continuamos dependentes do chato e repetitivo Paulo Coelho e fazemos cara feia para o Pedro Nava, que poucos leram.

         Enquanto isso, uma editora de porte médio entrega aos mexicanos, a cada mês, produções criativas e interessantes tanto para os simplesmente curiosos quanto para os leitores mais exigentes.

         “Culpa da crise econômica”, dirão os engraçadinhos, como se nossos grandes escritores, vivos ou mortos, dependessem dos milhões de reais que os brasileiros guardam nos bolsos.

         Se a Martha Medeiros publica, a cada ano, coisas como “Tudo que eu queria te dizer”, a obra de Carlos Drummond de Andrade (na foto com Pedro Nava, lançamento do livro sobre cartas que trocaram) só é encontrada no armário das escolas.

         Enquanto isso, Pedro Nava – talvez o mais brasileiro dos escritores – até já desapareceu tanto das livrarias quanto das bibliotecas universitárias.

         Vale lembrar ainda que essas bibliotecas do saber cuidam mais de uma triste minoria de professores universitários que dos jovens interessados em conhecer a melhor literatura brasileira.

         Viva Paulo Coelho!,  dirão os pobres coitados.

         Enquanto isso, a Ghandi nem espera que os autores mexicanos a procurem: vai atrás, promove concursos e busca selecionar o que existe de melhor em todos os países, aí incluídos os nossos vizinhos mais próximos, como a Argentina.

         Na terra de Fidel, que os idiotas classificam como simples “ilha dos inocentes inúteis”, a publicação de livros interessantes também não para de crescer.

         Cuba publica um grande número de autores locais e ainda se permite o luxo de reproduzir obras importadas dos Estados Unidos e Europa, ao lado de criações dos próprios cubanos.

         “Alguma coisa está fora da ordem mundial”, diriam os amantes da musiquinha nacional, acompanhados de perto por analfabetos que se dizem políticos de vanguarda e fingem ler, em um dia, aquilo que  não aprenderam em dezenas de anos.

         O leitor destas frases perguntará quem garante que o “futuro é mulher”, como anuncia o título. A garantia vem das próprias mulheres, que parecem dispostas a defender a inteligência e denunciar publicamente aqueles que tentam roubar o seu futuro.

         Se os idiotas não entenderem, azar o deles.

         Elas entendem…

Tião Martins

é jornalista

Fale com o autor: tião [email protected]

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