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sexta, 16 de novembro de 2018

Kleber Galvêas: O cacau do Garoto

 

Homero Massena morou em todas as capitais do Leste do Brasil, do Recife a Porto Alegre, passando por BH, e também nas principais cidades de Minas e São Paulo. Morou na Europa em três períodos, casou três vezes no Brasil, mas nunca teve casa própria.

Sempre pintando, escolheu a bucólica Prainha, em Vila Velha, para viver de 1951 até 1974, quando morreu.

A casa alugada foi mantida pela viúva até 1982, quando, devido à insalubridade, D. Edy foi morar num apartamento próximo. Não tendo o proprietário, residente no Rio, arrumado novo inquilino, a antiga casinha ficou abandonada e logo invadida por mendigos, que cozinhavam no chão da copa, em fogão feito com paralelepípedos, usando a madeira arrancada do assoalho e do forro. A decadência do imóvel era enorme.

Ao longo de 10 anos, muitas vezes homenageada, D. Edy ouviu a promessa de que a casa seria transformada em um museu.

Em 1986, acompanhada da irmã, voltando do Rio, onde fez alguns exames e consultas, estourou a bomba: ela era um doente terminal de câncer. Chamado à sua presença, depois de longa conversa, prometi que no dia seguinte iniciaria um plano para montar o museu, na casa onde ela viveu com o Mestre Massena durante 23 anos.

Em sete meses o museu foi inaugurado e a chave foi entregue ao prefeito de Vila Velha em 31 de outubro de 1986. Não se gastou um centavo de dinheiro público na restauração da casa, compra do acervo das herdeiras da D. Edy e na montagem do museu.

No Brasil ainda não havia nenhuma Lei de “Incentivo à Cultura”. Conversamos com alguns empresários  – Jônice Tristão, Maria Helena Siqueira, Ernane Galvêas, Carlos Lessa, Carlos Galvêas, Ivan Shalders, Camilo Cola, Ramiro Leal Reis, Claudionor Lorenzutti, Élcio Rezende, Roicles Coelho e Marilia Sily Vargas.

Sensibilizados com a ideia do museu colaboraram prontamente, sem obter nenhuma vantagem fiscal, pois reconheceram a sua urgência. As participações dos voluntários, o publicitário Pierre Debbané e o engenheiro José Luiz Frisso, foram fundamentais para o desenvolvimento do nosso projeto em tão curto prazo.

Em seis meses Vila Velha teve três prefeitos. Iniciamos contando com o entusiasmo de Vasco Alves, que desapropriou o imóvel, e o mesmo espírito acolhedor encontramos nos governos seguintes: Alcélio Sampaio e Carlos Malta.

O primeiro parceiro, o mais entusiasmado e maior colaborador do Projeto do Museu, foi o então presidente da Chocolates Garoto Helmut Meyerfreund.

A ilustração desta mensagem, a tela “O Cacau do Garoto”, é uma homenagem a esse grande homem, empresário sensível e muito interessado no desenvolvimento da cultura local. Sem a sua disposição o Museu Atelier Homero Massena dificilmente existiria.

Kleber Galvêas, pintor

www.galveas.com

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