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segunda, 22 de outubro de 2018

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Cantares de Salomão 2

 

Registra a História que Salomão, filho de David, rei do Reino Unido de Israel e Judá, recebeu, antes da morte de seu pai,
os planos para a construção do Templo de Jeová, destinado a abrigar a Arca da Aliança.

O ano era de 832 a.C. e para a realização da obra foram gastos 100 mil talentos de ouro, 1 milhão de talentos de prata,
além de outros 3 mil talentos de ouro e 7 mil de prata da fortuna pessoal do rei David.

Trinta mil homens do Reino, outros 70 mil não israelitas e 80 mil cortadores trabalharam na obra durante 7 anos, até sua conclusão.

Narra a saga do rei David que, além de ser homem de incalculável fortuna, tinha ele 700 esposas e 300 concubinas. Se tudo para o poderoso
monarca nada tinha de modesto, o Templo de Salomão poderia explicar, até por isso, essa perspectiva de grandeza….

Ao longo dos séculos, a monumental obra foi mais de uma vez destruída e reconstruída, em entrechoques de guerras, até o império de Nabucodonosor.
Hoje, do que foi o Templo de Salomão, resta apenas o Muro das Lamentações em Jerusalém, local de peregrinação de israelitas de todo o Mundo.

O poema escolhido para este sábado, “Cantares de Salomão”, faz remontar ao distante passado uma das fases mais instigantes da história das religiões,
reinado de Salomão, nome relacionado com sabedoria e grandes realizações, além do campo religioso.

De Capim Branco, MG, Rubens Pontes.

Cantares de Salomão 2

A Amada

2 Sou uma flor[a] de Sarom,
um lírio dos vales.

O Amado

2 Como um lírio entre os espinhos
é a minha amada entre as jovens.

A Amada

3 Como uma macieira entre
as árvores da floresta
é o meu amado entre os jovens.
Tenho prazer em sentar-me
à sua sombra;
o seu fruto é doce ao meu paladar.
4 Ele me levou ao salão de banquetes,
e o seu estandarte sobre mim é o amor.[b]
5 Por favor, sustentem-me com passas,
revigorem-me com maçãs[c],
pois estou doente de amor.
6 O seu braço esquerdo
esteja debaixo da minha cabeça,
e o seu braço direito me abrace.
7 Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar
pelas gazelas e pelas corças do campo:
não despertem nem provoquem o amor
enquanto ele não o quiser.
8 Escutem! É o meu amado!
Vejam! Aí vem ele,
saltando pelos montes,
pulando sobre as colinas.
9 O meu amado é como uma gazela,
como um cervo novo.
Vejam! Lá está ele atrás do nosso muro,
observando pelas janelas,
espiando pelas grades.
10 O meu amado falou e me disse:

O Amado

Levante-se, minha querida,
minha bela, e venha comigo.
11 Veja! O inverno passou;
acabaram-se as chuvas e já se foram.
12 Aparecem flores na terra,
e chegou o tempo de cantar[d];
já se ouve em nossa terra
o arrulhar dos pombos.
13 A figueira produz os primeiros frutos;
as vinhas florescem e espalham
sua fragrância.
Levante-se, venha, minha querida;
minha bela, venha comigo.
14 Minha pomba que está
nas fendas da rocha,
nos esconderijos,
nas encostas dos montes,
mostre-me seu rosto,
deixe-me ouvir sua voz;
pois a sua voz é suave
e o seu rosto é lindo.

A Amada

15 Apanhem para nós as raposas,
as raposinhas que estragam as vinhas,
pois as nossas vinhas estão floridas.
16 O meu amado é meu, e eu sou dele;
ele pastoreia entre os lírios.
17 Volte, amado meu,
antes que rompa o dia
e fujam as sombras;
seja como a gazela
ou como o cervo novo
nas colinas escarpadas.

Rubens Pontes é jornalista,

escritor, poeta, prosador

– Passos, saltos & queda – livro de Rubens Pontes no linki abaixo:https://rubenspontes.com.br

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