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tera, 11 de dezembro de 2018

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Penetração do Poema das Sete Faces, de Elisa Lucinda

 

O Portal Don Oleari, a Rádio Clube da Boa Música e esta coluna prestam homenagem

a uma singular figura da arte capixaba, admirada além das nossas fronteiras, nome que conquistou

largo espaço no fechado e sensível mundo da atividade artística como símbolo de talento e versatilidade.

Poeta, jornalista, cantora e atriz, Elisa Lucinda dos Campos Gomes deixou Cariacica, sua cidade natal,

para consagrar-se no Rio de Janeiro como nome nacional nos palcos, no cinema, no teatro, na televisão.

Formada em Comunicação Social pela UFES, Elisa Lucinda foi professora antes de manifestar

seu indiscutível talento para manifestações e criações artísticas.

Troféu “Raça Negra” em 2010 na categoria Teatro, premiada no Festival de Cinema de Brasília em 2012, por

sua atuação no filme “A Última Estação”, nossa brilhante estrela, convidada pela Funarte, representou o País nas comemorações do Ano Brasil-Portugal,

realizando uma turnê por cinco cidades lusitanas conquistando,  por onde passou, unânime admiração e aplausos por sua performance.

Como escritora, Elisa Lucinda publicou, entre 1992 e 2016, 15 livros sobre variados temas; como atriz, atuou em 11 novelas

de televisão e nos palcos em pelo menos 20 peças teatrais. Em 2010, foi escolhida como Melhor Atriz de Teatro,

por sua interpretação em “Parem de Falar Mal da Rotina”.

Gravou ainda numerosos CD’s, destacando-se como excepcional narradora.

Como observou um dos produtores deste Portal, e com ele não há como discordar, este espaço é muito curto para discorrer

sobre a trajetória de Elisa Lucinda, nome destacado em prosa e versos pelos mais conceituados críticos de arte brasileiros.

“Penetração do Poema das Sete Faces”, dedicado a Carlos Drumond de Andrade, foi escolhido pela coluna como

nosso “Poema de Sábado”.

Rubens Pontes, de Capim Branco, MG.”

Penetração do Poema das Sete Faces

Elisa Lucinda

(A Carlos Drumond de Andrade)

Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas
Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos

Rubens Pontes é jornalista, radialista,

publicitário, escritor, poeta –  Passos, saltos & queda – livro de Rubens Pontes no linki abaixo:https://rubenspontes.com.br

 

 

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