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segunda, 22 de outubro de 2018

Rodrigo Mello Rego: As Certinhas do Oleari + Poesia erótica – Ana Carolina, Otto, Zé Ramalho, Vanessa da Mata e seus versos eróticos

  • – “Eu comi Madona” (Ana Carolina)

– “Ela goza com o sabonete, não precisa de você:
Ela goza com a mão, não precisa de seu pau” (Arnaldo Antunes)

 

Prestando minhas homenagens à Rádio Clube da Boa Música, que vem dando importante contribuição para divulgação descompromissada das melhores composições brasileiras e internacionais, volto minha coluna de hoje ao estudo do expressivo número de compositores brasileiros inseridos no campo do erotismo na literatura – tema dos meus estudos divulgados nesta coluna.

O versejar possibilita essas incursões, como tenho registrado em pesquisas sobre o tema.

Rita Lee, Ângela RoRo, Ana Carolina, Chico Buarque, Otto, Zé Ramalho, Vanessa da Mata são apenas alguns dos nomes de compositores que incursionaram no campo do erotismo e obtiveram sucesso popular .

– “Por isso da primeira vez doi
por isso não esqueça, doi”…

poetou o compositor Otto.

Arnaldo Antunes atingiu os limites do erotismo pornográfico:

– “Ela goza com o sabonete, não precisa de você:
Ela goza com a mão, não precisa de seu pau”.

A compositora e cantora Ana Carolina não deixou por menos em “Eu comi Madona”:

– “É dessas mulheres pra comer com dez talheres,

de quatro, lado, frente, em baixo, em pé…”

Em “Garoto de Aluguel”, Zé Ramalho confessou (?):

– “Minha profissão é suja e vulgar
quero um pagamento para me deitar…”

Para não me alongar muito, lembro finalmente Vanessa da Mata:

– “Eu só sei que eu quero você pertinho de mim
Eu quero você dentro de mim
Eu quero você em cima de mim”.

A sutileza erótica na canção de Chico Buarque

Nesse levantamento parcial, quando outros 29 compositores foram pesquisados, ganham especial dimensão, pela responsabilidade do nome que carrega, Chico Buarque e sua composição ”O meu amor”. A voz feminina é de Marieta Severo.

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

Rodrigo Mello Rego

é jornalista, escritor, pesquisador

de literatura erótica

 

 

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