Menu

segunda, 22 de outubro de 2018

Uchôa de Mendonça: O Cais das Artes (ou o “Caixotão”)

(Foto: Ricardo Medeiros)

Nossos governantes quando assumem o poder se transformam em sábios, inteligentes, não aceitam idéias alheias ou que confrontem com as suas e, como usam recursos públicos, não se incomodam se as coisas que imaginam vão dar certo ou errado.

Vou ousar dar uma opinião ao governador Paulo Hartung (foto), a quem aprecio pela nobreza de caráter.

Foi ideia sua, exclusivamente sua, a construção do Cais das Artes.

O formidável projeto foi encomendado ao arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, natural de Cachoeiro de Itapemirim e radicado em São Paulo (foto): ele projetou o famoso “caixotão”, como é apelidado pelos que entendem de arquitetura e, agora, dizem, vai ficar pronto em 2020.

Vai?

 

A obra é monstruosa, maior do que a capacidade do Estado do ES em disponibilizar recursos para mantê-la funcionando, daí o abandono e com possibilidade de atravessar mais anos exposta ao tempo, o que é perigoso.

Seria importante entregar à iniciativa privada para que ali fosse implantado um formidável Centro de Convenções, uma galeria de artes para que o artista capixaba tivesse um espaço para expor seus trabalhos, mas que o empreendimento tivesse as mãos e a capacidade da iniciativa privada, para administrá-lo.

Não desmereçamos a ideia visionária da construção, do idealizador, mas essas coisas precisam ter começo, meio e fim.

Quando vejo tanta coisa abandonada ou por acabar, a cidade assistir o triste espetáculo de violência que vem das favelas, que serpenteiam morro acima, inacessíveis para as autoridades de segurança para descobrir os labirintos onde a marginalidade se esconde, provoca pânico nos que moram na planície e pagam caro, impostos absurdos, para sustentar um populismo que, um dia, irá promover a africanização do país, pobre povo explorado por centenas de anos, ao sabor de exploradores malditos, que sugaram suas riquezas.

A sorte do Cais das Artes depende da vontade do governador, para continuar funcionando depois de pronto. Vendo o término do seu mandato, com desejo de encerrar a vida pública pelo desgosto à classe política que ele um dia imaginou ajudar a construir, mas que caiu na real, sentindo-se desiludido.

A cidade precisa de um centro de convergência, de aglomeração de pessoas que desejam o desenvolvimento. Com a proibição da Praça do Papa em receber pavilhões para a realização de grandes feiras, por entender o prefeito Luciano Rezende que a área não foi feita para esse tipo de finalidade, resta arranjar um espaço para que o centro nevrálgico do Estado possa ter um local nobre, para se apresentar aos visitantes.

As histórias não se repetem. Bom que sejam contadas de uma só vez, para que seus autores sejam lembrados com saudades, evitando-se cair no desprezo.

POL-3001.eps

 

 

Uchôa de Mendonça

é jornalista

Comentários