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domingo, 19 de agosto de 2018

Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado – Esperança, de Mário Quintana; Cântico da Esperança, de Tagore

Juscelino Kubitscheck com Nat “King” Cole, foto postada pelo jornalista Valério fabris.

Entramos em agosto. Mês marcado por acontecimentos trágicos no País,

como a morte de Juscelino Kubitschek, o suicídio de Getúlio Vargas, a brutal morte

de Eduardo Campos e muito antes dele, também num mês de agosto, seu sogro Miguel Arraes,

a renúncia de Jânio Quadros com seus desdobramentos de alto preço para os brasileiros.

Sopra-me o diretor da Rádio Clube da Boa Música ter morrido também num mês de agosto

o cantor Elvys Presley, o que me faz reportar a outro mês de agosto, quando uma bomba

atômica lançada sobre Hiroshima matou instantaneamente quase 270 mil pessoas.

Foi também num fatídico mês de agosto,

muito depois dessa tragédia, que morreu num acidente de carro a princesa Diane, amada ainda hoje na memória dos ingleses.

Será que poderemos superar essa singular série de ocorrências, com a esperança de que a História passe

a registar, neste agosto corrente e nos agostos que virão, episódios que justifiquem nosso amor por este ora abalado Brasil?

Eu me lembro do que disse o ex-ministro Ayres Brito, então presidindo o STF, durante uma penosa sessão da Corte de Justiça:

– “A esperança é Deus dentro de nós”.

Vale a pena ter esperança de que em outubro próximo nós, os eleitores brasileiros, saibamos escolher os políticos que, em nosso nome, com nossa delegação manifestada pelo voto, vão gerir os negócios da Nação brasileira.

Não gosto da palavra conjuntura, mas ela me conduziu na escolha do poema deste sábado.

Dois poemas, na verdade: um de Mário Quintana (“Esperança”, à direita) e um de Rabindranath Tagore (“Cântico da Esperança”, à esquerda).

Com o amém do Portal Don Oleari, da Rádio Clube da Boa Música e deste colunista,

Rubens Ponters, de Capim Branco, MG.

Esperança

Mario Quintana

Lá do alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
É ela pensa que quando todas as sirenàs
Todos os reco-recos tocarem
Ativa-se
É
– Oi delicioso vôaa!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na
Calçada
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
– como é teu nome meninazinha de olhos verdes?
E ela lhe dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo! )
Ela lhes dirá bem devagarinho,para que não
Esqueçam:
– Oi meu nome é ES-PE-RAN-ÇA

Cântico da Esperança

Rabindranath Tagore

Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.

Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.

Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.

Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.

Não seja eu tão cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso!

RabindranathTagore, in “O Coração da Primavera”
Tradução de Manuel Simões

Rubens Pontes é jornalista, radialista,

publicitário, escritor, poeta –  Passos, saltos & queda – livro de Rubens Pontes no linki abaixo:https://rubenspontes.com.br

 

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