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tera, 11 de dezembro de 2018

Festival de Vitória homenageia Cineasta Neville D’Almeida pelos 50 anos de carreira

 

O cineasta é diretor de “A Dama da lotação” (1978) – recorde de público do cinema nacional

 

Os 50 anos de carreira de um dos maiores diretores do cinema brasileiro, Neville D’Almeida, vão ser rememorados na edição comemorativa de 25 anos do Festival de Cinema de Vitória dia 5 de setembro, às 19 horas, no Theatro Carlos Gomes.

Como parte da homenagem, será exibido, às 20h30m, o documentário que revisita a carreira do diretor, “Neville D’Almeida – cronista da beleza e do caos”, de Mario Abbade. Recém lançado, o documentário resgata a vida e o trabalho do cineasta, desde a era do Cinema Marginal até o presente, através de entrevistas, raras imagens de arquivo e um vasto material iconográfico.

Mineiro, nascido em Belo Horizonte em 1941, Neville começou a se aventurar no cinema ainda na década de 60. Mas foi durante a contracultura setentista, depois de retornar de uma temporada por Nova York e Londres, que o cineasta deslanchou com uma promissora carreira, tornando-se um dos maiores expoentes do cinema marginal.

50 anos de carreira

Autor de mais de 25 roteiros originais, além de adaptações literárias, Neville é o nome à frente de grandes clássicos do cinema nacional, como “A dama do Lotação” (1978), estrelado por Sônia Braga. O filme ocupa o sexto lugar* de maior bilheteria do cinema nacional atualmente, levando mais de 6,5 milhões de pessoas às salas de exibição. Foi também o primeiro filme lançado em todos os estados brasileiros.

Dirigiu também outros clássicos como “Matou a família e foi ao cinema” (1991), com a atriz Maria Gladys (foto à direita, acima de “Rio Babilônia”), “Navalha na carne” (1997), “Os sete gatinhos” (1980), “Rio Babilônia” (1982), entre outros, que lhe renderam prêmios como o Troféu Glauber Rocha, da Associação dos Críticos de Cinema e o de Melhor Diretor no Festival de Gramado.

Cineasta, roteirista, escritor, ator, fotógrafo e artista multimídia, Neville é considerado um artista múltiplo. Em 1973, realizou com o artista Hélio Oiticica, uma série de instalações conhecidas como COSMOCOCA, também conhecida como QUASI CINEMA, que vieram a ser as primeiras instalações interativas e sensoriais da Arte Contemporânea brasileira.

Transgressão e temas polêmicos

Em entrevista para o site “Adoro Cinema”, o diretor se autoafirma como o “cineasta mais censurado da história do cinema brasileiro”. Durante os anos de chumbo do regime militar, o diretor teve pelo menos quatro filmes censurados: entre eles “Mangue Bangue”, “Surucucu Catiripapo” e “Gatos da Noite”. O filme “Jardim de Guerra” foi, inclusive, o filme mais picotado – com partes excluídas – pela censura.

Com filmes de enorme público, Neville sempre se posicionou tanto na forma de dirigir, como no roteiro e narrativa. Abordou temas polêmicos, como sexualidade, drogas, favela, crítica à burguesia, sempre de forma contundente e sem moralismo. Levou para as telas uma liberdade raramente vista no cinema brasileiro.

Praticamente todos os seus filmes são dedicados a personagens femininas, apresentadas com liberdade, sem julgamentos ou pudores. Suas obras também marcaram as carreiras de atrizes com quem trabalhou, como Regina Casé, Claudia Raia, Christiane Torloni, Vera Ficher, entre outras, incluindo mais recentemente Bruna Linsmayer no filme “A frente fria que a chuva traz”.

A relação é de provocar a entrega total das atrizes à obra, e é justamente isso que faz de Neville um diretor consagrado pelas cenas mais memoráveis e ousadas do cinema brasileiro.

As parcerias com outros grandes nomes da música e da Tv, também impulsionaram sua carreira, como a realizada com Erasmo Carlos para a trilha sonora original de “Os sete gatinhos”- outra obra adaptada de conto homônimo de Nelson Rodrigues.

Futuros projetos

Neville se dedicou integralmente às artes nesses 50 anos de carreira e segue com novos projetos em andamento.

Coerente em toda sua trajetória, o diretor planeja trazer temas bastante contemporâneos como a mulher na sociedade em “A dama da internet”, que também é uma espécie de continuação de “A dama da lotação”; a morte anunciada da Floresta Amazônica, em “Bye bye Amazônia” e a discriminação contra negros e índios em “Escravidão”. Em cada filme, o trabalho é minucioso, passando até mais de cinco anos dedicados a cada projeto.

Realização

Galpão Produções e Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA)

25ª edição do Festival de Cinema de Vitória – 3 a 8 de setembro deste ano em Vitória-ES. Este evento

Patrocínio do BRDE, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), da Ancine e da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Apoio institucional: Rede Gazeta, Canal Brasil, ArcelorMittal, Link Digital, Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), CiaRio.

* Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Edição: Don Oleari

 

Com Danielle Ewald, da RF Assessoria de Comunicação

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