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domingo, 19 de agosto de 2018

Tião Martins: Quatro grandes mestres da melhor publicidade mineira

Tião Martins, de Belo Horizonte/MG

Edgard Melo, publicitário, criador da agência ASA em Belo Horizonte, que viria a se tornar uma das maiores do Brasil.

Para nunca esquecer….

Há muitos anos afastado das agências de publicidade, às vezes sinto vontade de saber, do lado de dentro, quais são as atuais novidades empolgantes destes heróis mineiros do nosso tempo.

Quem viveu um dia a loucura quase diária de uma agência de publicidade jamais vai esquecer o clima de tensão no qual todos navegávamos em certas ocasiões.

Disputar uma “conta” proposta ao mercado por um cliente poderoso – um grande banco, o prefeito da Capital ou a Copasa – gerava competição mais enlouquecedora do que uma final de Atlético x Cruzeiro.

Embora cada um dos patrões, para atraírem os melhores profissionais, jurassem que a sua agência era um DDD – delicioso delírio diário – qualquer visitante que passasse uns quinze minutos pelos diversos setores sairia dizendo que éramos todos malucos.

Uns, silenciosos ou conversando com eles próprios, de repente jogavam tudo para o ar e iam tomar um café, sinal de que haviam encontrado uma abordagem genial.

Outros davam gritos de guerra a cada título inventado para um anúncio, mesmo que depois renunciassem à essa genialidade, ao descobrirem que o cliente era outro.

Mas essa “maluquice” explícita – que às vezes ia de nove da manhã até o amanhecer do dia seguinte – sempre foi o maior atrativo dos publicitários, mais dedicados que qualquer jornalista, bancário ou padre.

Nos dias de tensão e correria – quase sempre às sextas-feiras – se um visitante desprevenido passasse pelo espaço da chamada “criação”, onde os anúncios nasciam, sairia da agência com a certeza de que éramos todos maluquinhos. No mínimo…

No mundo exterior, comentava-se que os publicitários de grandes agências éramos todos milionários, habituados a receber uma fortuna a cada mês.

E até alguns dos clientes mais poderosos, observando de longe essa festa diária, saíam da agência com inveja desses ricos e caros profissionais, tão dedicados, criativos e apaixonados. Pura fantasia desses clientes.

Sim, as agências pagavam bem, mas nada parecido com o que passava pela cabeça dos clientes e dos invejosos. Rico ninguém ficou, a não ser os donos do negócio. E alguns, nem isso.

Mas orgulhosos ainda somos, quase todos.                                       George Norman Kutova     

Se você duvida, pergunte ao Afonso Barroso e ao Mário Ribeiro, que me ensinaram, a duras penas, o que era ser publicitário.

Felizmente, ambos eram ou haviam sido jornalistas, como eu. E bons jornalistas… Foram eles os meus professores, nessa matéria tão discutida da publicidade.

E não só professores, mas também amigos leais, que se livraram a tempo dessa loucura diária, antes que o monstro arrasador da publicidade os apanhasse, como fez com George Norman Kutova e Edgard de Melo, dois mestres inesquecíveis.

A eles, a gratidão deste aprendiz. Para sempre.

Tião Martins

é jornalista, publicitário,

cronista

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